Terça-feira, 8 de Abril de 2008

A Racha das Rachas!

Em Londres, estive em cinco museus: Tate Modern, Natural History Museum, Victoria & Albert (não deu para ver em condições, pois estava quase a fechar), National Maritime Museum e British Museum ( nesta altura já não via nada à frente e deambulva pelas salas qual zombie).

Talvez por desconhecer a sua existência, o Museu Marítimo Nacional, de resto o maior museu marítimo do mundo, localizado em parte do Royal Naval Hospital de Wren, revelou-se uma agradável surpresa; é de facto um museu muito bonito. Gostei de ver o Museu de História Natural embora tenha ficado um pouco aquém das minhas expectativas. Foi um pouco cansativo porque o museu é bastante grande e apesar de lá ter estado algumas horas, não foi possível ver tudo. Ao mesmo tempo, estava sobrelotado de pessoas. Desesperei algumas vezes quando não me conseguia aproximar de alguns esqueletos e pseudo-esqueletos de dinossauros, porque dezenas de crianças de tenra idade se apinhavam freneticamente armados de papéis, cadernos, lápis de cor e todo o material associado, desenhando e pintando frente aos fósseis, num berreiro ensurdecedor; achava eu que em Londres estaria mais calmo e temporariamente afastado de alunos. Como referi o Victoria & Albert foi visto de rajada já que o tempo de abertura era escasso (deu para fotografar um vestido qualquer que toda a gente fotografava, branco e repleto de umas pequenas pérolas, famoso por ter sido envergado pela Diana). No British Museum eu já não era eu, a má disposição e o cansaço eram tais que me lembro de nem já sentir as pernas. Sei que passei por umas quantas salas repletas de sarcófagos todos trabalhados, fotografados por mil asiáticos de olhos em bico, assim como, artesanato egípcio, da Grécia Antiga, dos Sumérios, entre outros. Entristeci ao perceber que ainda estava a dar atenção a todo aquele património descaradamente roubado pela Coroa Britânica ao resto do mundo.

Mas pronto, o que me encantou verdadeiramente, foi a grande racha da escultora colombiana Doris Salcedo da Tate Modern.

E perguntam vocês: _ Mas que raio de racha vem a ser essa?

Pois, é correctamente denominada  pela própria artista, de Shibboleth. O Shibboleth é então uma fenda enorme, de mais de 100 metros de extensão, concebida pela escultora na Turbine Hall da Tate. Esta fenda, mais estreita nuns pontos e mais ampla noutros, pretende simbolizar, na óptica da sua criadora, o secular domínio da Colômbia pelo Império Espanhol, sendo Shibboleth uma espécie de evocação aos destroços deixados no seu país. A fenda aberta é, simultaneamente, uma alusão à passagem do rio Jordão narrada no livro dos Juízes da Bíblia. Bem, tenha lá a justificação que tiver, adorei a ideia da artista ter espatifado o chão todo da Tate, rachadura essa fotografada uns bons milhares de vezes por dia (de resto a grande atracção do momento na galeria), para depois receber uns quantos milhares de libras, pagas ao metro de racha. É que na verdade há rachas e rachas e esta é bem paga.

 

 Entretanto não deixava de ser engraçado  o alerta dos folhetos que nos distribuíam, dos quais constava o seguinte:

WARNING

DANGER OF FALLING

PLEASE KEEP CHILDREN

 UNDER SUPERVISION

 

Esbocei um sorriso porque, com toda a certeza via-se melhor a racha no chão do que os folhetos. E até ao maior dos distraídos não seria indiferente a maior densidade demográfica que circulava em redor da racha.

 

 


publicado por Brama às 20:31
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4 comentários:
De girl in wonderland a 9 de Abril de 2008 às 11:13
É uma ganda racha!!! eheheh


De Graduated_fool a 9 de Abril de 2008 às 17:24
Pena não teres visitado com mais atenção e calma o Victoria & Albert. O museu é lindíssimo e de uma variedade imensa. É como que uma mini Expo 98 com salões e salões que representam várias regiões/países do mundo.
Pena também não teres ido ao Museu da Ciência. É enorme e passa-se lá um dia inteiro a participar activamente em várias experiências.
Fica para a próxima.
Eu adoraria ver a Racha. Já vi algumas fotos que me impressionaram muito e acho esteticamente muito interessante.
Desta artista gosto imenso também de uma instalação que ela tem que consiste num amontoado imenso de cadeiras entre dois edifícios de uma rua. Procura na net que encontras fotografias, com certeza absoluta.


De Brama a 9 de Abril de 2008 às 18:59
Sim, já antes tinha visto. Cria um efeito espectacular.


De Paulo a 12 de Abril de 2008 às 00:28
Já tive a minha fase de papa museus... agora estou mais comedido como se me tivesse dado o Síndrome de Stendhal. Já tinha visto imagens da racha mas confesso que não sabia os motivos/explicação da origem. Parece uma racha fantástica!
Abraços


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