Terça-feira, 3 de Março de 2009

2ºEncontro Comenius Day One

 

Se a semana em Londres foi extraordinária, esta em Sanliurfa não o foi menos ... aliás para mim ainda superou. Tudo foi excelente, desde a organização, à recepção por parte dos colegas, a sua simpatia, cordialidade e incansável disponibilidade, à recepção por parte dos alunos da Escola participante, aos lugares visitados, à simpatia e atenção no atendimento ... tudo menos os vendedores dos bazares ou de rua que, por vezes chateiam-nos a paciência até à exaustão. As experiências partilhadas e os momentos vividos foram tantos e tão intensos que nenhum texto por si só será capaz de transmitir a quinta parte do que vivemos, sentimos, trocámos.

 

Chegados ao Güney Anadolu Projesi (Aeroporto de Sanliurfa), após cerca de 2 horas de voo desde Istanbul, apercebemo-nos de um frio cortante e seco em ambiente totalmente desértico.

Após recolhermos as malas da passadeira, verificámos que lá fora os nossos colegas turcos nos esperavam, rigorosamente vestidos, entre os quais o presidente do executivo (müdür). Com a frota automóvel que nos esperava, o rigor das indumentárias e um horizonte de areia e cascalho a perder de vista, senti-me protagonista de um thriller que envolvesse altos esquemas de interesses económicos com o negócio do ouro negro. Fizemos cerca de 30 kms em terra de ninguém, onde não me recordo de ver uma única árvore, por pequena que fosse e imaginei o quão desagradável seria fazer aquele caminho batido pelo escaldante Sol de Agosto.

Assim chegámos à Cidade dos Profetas, Sanliurfa ou Urfa, uma das cidades mais antigas do planeta, berço do Profeta Abraão, com o seu milhão e meio de habitantes, no meio do nada.

Até à chegada ao Hotel Harran (um dos melhores da cidade), não consegui descolar os olhos nem por um segundo das ruas, avenidas e praças que cruzámos, apercebendo-me do extremo contraste face à nossa ocidental realidade. A única semelhança foi a de que observei pessoas no seu buliço diário, ruas, automóveis, praças, escassos espaços verdes, edifícios, semáforos, viaturas, embora tudo com um aspecto absolutamente distinto do nosso. As pessoas de ar envelhecido e enegrecido, de cabeça frequentemente coberta (homens e mulheres) observam-nos com estranheza e curiosidade, edifícios de tons acastanhados e amarelados, quase sempre tapados de cartazes publicitários e anúncios com letras garrafais, aqui e ali uma mesquita com as suas cúpulas e minaretes lembrando-nos a todo o momento que estamos bem longe de casa e ali, o islamismo tem uma palavra a dizer. Urfa tem uma mistura explosiva sendo que a maioria da população é curda, gerando-se por vezes alguma turbulência com os turcos.

Nesse mesmo dia visitámos os principais pontos de interesse turístico da cidade. Convém referir que logo no primeiro dia, eu e o grupo húngaro nos perdemos do resto do grupo, pois ficámos para trás a conversar e … quando demos por ela, estávamos perdidos no meio da absurda confusão do principal bazar da cidade. Nós e as nossas máquinas fotográficas, vestidos pelo pai europeu chamado Capitalismo, sentimo-nos subitamente assaltados por viscerais olhares da comerciante populaça que, cobrindo a cabeça com os curdos “pusi” e vestindo as típicas “salvar”, aqui batiam em pratos de cobre e alumínio, ali costuravam em velhotas máquinas de costura, num cenário que apenas imaginava existir em vinhetas ilustrativas da Idade Média, impressas em antigos compêndios de História. Não me consigo esquecer que as únicas coisas com um ar minimamente colorido naquela praceta interior dominada pelos cobres, ocres castanhos e dourados, éramos nós mesmos.

Nesse dia visitámos o Balikli Göl, o lago sagrado de Abraão repleto das igualmente sagradas carpas, peixes que é proibido tocar. Visitámos Urfa Kalesi, o ponto mais alto da cidade, Mevlid-i Halil Mosque, talvez a mesquita mais importante, Gümrük Hani entre outros pontos e acabámos por voltar aos Kazaz Pazar (bazares).

                                                                                                                                                      Brama

 

 

 

(Imagens retiradas da Internet)

 


publicado por Brama às 19:21
link do post | comentar | favorito
|
5 comentários:
De Maria a 3 de Março de 2009 às 21:04
Estou a adorar saber as novidades....

Eu também quero ir lá!!! Mas a viagem deve ser caríssima, não? E será seguro?

Beijos


De Brama a 3 de Março de 2009 às 21:15
Para Istanbul ou outro ponto qualquer inserido em circuitos turísticos (por ex: Capadócia, Pamukkale, Antalya, Ankara, ...) fica mais barato. O que encarece a viagem é o voo doméstico Istanbul - Sanliurfa.

Para Istanbul consegues viagens muito baratas. Há pacotes de viagens para x noites e x dias para Istanbul e Capadócia muito acessíveis.

Confesso que, se não fosse por estar num projecto, jamais iria a Sanliurfa por mim, fica muito distante e isolado, por vezes parece algo assustador e está pertíssimo da fronteira com a Síria. Na sexta-feira 13, em que regressámos a Istanbul, rebentou para lá uma confusão qualquer entre os turcos e os curdos. O esquema social é tão diferente que, por mim não iria sozinho com toda a certeza.
No espírito do projecto e com colegas que nos receberam e ajudaram em tudo é completamente diferente.

Honestamente não te aconselho Sanliurfa mas aconselho-te e muito Istanbul ou um qualquer circuito turístico.

Eu voltarei à Turquia com toda a certeza, adorei as pessoas, a forma como nos trataram e é um país mágico a vários níveis.
Quero ver Istanbul melhor e quero muito conhecer a Capadócia.


De pinguim a 3 de Março de 2009 às 22:09
Conta mais, adoro estes relatos...
E mostra fotos.
Abraço.


De Brama a 3 de Março de 2009 às 23:07
Olá pinguim, apesar de ter mais de 800 fotos, não as posso mostrar ... continuo sem saber como posso fazer para colocar aqui fotos. Só consigo tirar da net e copiar para aqui. Estou à espera que alguma alma caridosa e com tempo disponível, me explique como fazê-lo, não tenho paciência para andar "à pesca", até descobrir sozinho.
De qualquer forma continuarei com as descrições, mas preciso de mais tempo ... muita coisa aconteceu e é mesmo impossível reduzir tudo umas quantas linhas de texto.
Abraços


De graduated_Fool a 4 de Março de 2009 às 03:50
Bem, para quem não ia escrever muita coisa, apenas uma espécie de palavras soltas...
Mas fizeste bem escrever os textos extensos. Assim fico a saber mais da tua estadia turca e até nem precisamos de estar mais umas quantas horas ao telemóvel. Gostava era de saber como é que decoras esses nomes todos!
Tens mesmo de aprender a colocar fotos tuas aqui. Estou desejoso de ver as 800.
Engraçado também o facto das civilizações orientais, tal como esta, terem uma adoração pelas carpas. Lagos cheios delas, tatuagens, tudo para dar sorte.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. SIA Lentil

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Sem "papas na língua", co...

. Heartbeat Educação

. Que seria de nós sem um G...

. Como estamos em Ditadura ...

. Born Free

. MDNA, in full conviction!

. Cheikh N`Digel Lô e MDNA

. É assim que Shanghai pens...

. Aziza Mustafa Zadeh

. O tempo é escasso

. Só para relaxar um pouco ...

. Mulher que mata qualquer ...

. She give me money ... whe...

. Ainda estou vivo

. Because of You ...

. Inté

.arquivos

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Junho 2012

. Dezembro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Setembro 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds