Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

O Segredo de Brokeback Mountain

A prova de que o nosso estado de espírito, as nossas motivações, ... influenciam e muito, o modo como percepcionamos e sentimos por exemplo um filme, tem muito que se lhe diga. "O Segredo de Brokeback Mountain" é disso um excelente exemplo. Confesso que apesar de o ter considerado um bom filme, na sua generalidade, não exerceu em mim a necessária empatia, pelo contrário, conseguiu aborrecer-me de morte. O simples facto de tratar sempre a temática da homossexualidade como algo triste, escondido, rejeitado, digno de alguma pena e com um fim inevitavelmente infeliz e as relações homossexuais como algo a manter numa conformada ou irremediável obscuridade, foi mais que suficiente para me fazer disparar de irritação o meu, já de si débil, sistema nervoso. Ontem vi o filme na rtp enquanto me dedicava a passar uma pilha de roupa e ... senti o filme de um modo diametralmente oposto. Mesmo o maior homofóbico, vendo o filme com a necessária atenção, dificilmente poderia ficar indiferente à intensidade dos sentimentos ali em jogo e creio que não deixaria de algum modo, de se emocionar. A beleza, a grandiosidade e a densidade do Amor ali em evidência sufoca e o pormenor da orientação sexual das duas personagens, é em si mesmo um singelo pormenor. Os cenários do filme têm incontornável beleza, assim como as interpretações. O final do filme deixa-nos suspensos num estado de infinita amargura e pasma-nos perante a genialidade do realizador Ang Lee. O estado de puro amor expresso e sentido será uma raridade, porém possível. As cenas finais são das mais belas da história do cinema.

 

                                               Brama

 

 
 

 

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publicado por Brama às 21:10
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4 comentários:
De Graduated Fool a 18 de Setembro de 2007 às 01:01
Agora já percebes o quanto amo este filme? Mexe de tal forma comigo que nem sei escrever sobre ele. Fico arrasado quando o vejo, quando vejo algumas das cenas.
É de uma beleza extrema, apesar da aparente monotonia, dos diálogos que poderiam, aparentemente, ser mais intensos. Não, não poderiam. Os que existem chegam. É no silêncio dos olhares que está a maior dor.
A interpretação do Heath Ledger é absolutamente extraordinária. A forma como aquele homem vive uma vida atormentada por um amor que ele não entende, antagónico a tudo o que ele parece ser. Um homem que não consegue expressar sentimentos nem à filha mas que estão lá todos naquele olhar perdido, assustado, enclausurado numa masculinidade social que ele representa.
A cena em que eles discutem, em que ele cai abraçado ao Jack e diz algo como "I wish you leave me. I ain't got nothing, I'm nothing" é qualquer coisa de assutador, até. Um homem perdido nos seus sentimentos durante 20 anos.
As cenas finais em casa dos pais do Jack, a forma como ele entra naquele quarto, vê e agarra aquelas duas camisas é algo de arrepiante.
O final em que ele olha para a fotografia... não encontro palavras.
É um filme que evito ver. Deixa-me completamente arrasado.
Sim, são dois homens, mas podiam não ser.
Ainda bem que gostaste mais, meu querido. É um filme que quanto mais se vê mais se gosta.
Nem sei como conseguiste passar a ferro e não te sentaste no sofá.


De Brama a 18 de Setembro de 2007 às 01:11
Concordo com tudo o que referes ... sim é o tipo de filme que se gosta mais quantas mais vezes for visto ... tinha um montão de roupa e não podia juntar mais. O filme é esmagador, sente-se um nó na garganta continuado


De The Tales Maker a 18 de Setembro de 2007 às 02:16
Eu fiquei novamente comovido ao ver o filme. Aliás, ia ver os trailers que tens no teu post, mas desisti porque já estava a ficar com os pêlos arrepiados e certamente que ia chorar de novo.
Ainda bem que já gostaste mais do filme.
Abraço e porta-te bem rapaz.

PS: Já alterei o meu blog e já podes comentar os meus posts


De Maria a 18 de Setembro de 2007 às 10:10
Até que enfim que se fez luz nessa cabecinha!! É um GRANDE filme. Não concordo nada com a interpretação que fizeste da 1.ª vez que o viste mas, felizmente, já mudaste de opinião! Beijinhos.


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