Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Imagem distorcida!

Saio de casa após um desmotivante dia de início de aulas, igual a tantos outros em anos anteriores. Os anseios iguais ou piores, os alunos bufam porque após meses de férias, o último lugar que anseiam é o da sala de aula, após vários meses sem aulas, a tradicional curiosidade da primeira aula, existente até no aluno mais absentista, dá lugar a uma incrível sensação de temporário aprisionamento que, deseja-se acima de tudo, não chegar aos 90 minutos de aula, uma vez que se trata do primeiro momento do ano. Saio de casa com uma colega que, entretanto veio lanchar comigo e vou comprar alguns víveres para estupidamente teimar em manter a minha permanência neste lugar. Penso, penso demais, não vejo alternativas imediatas, soluções que possam acalmar-me, tal como eles, sinto-me aprisionado num lugar com que não me identifico, numa missão que não é a minha porque não é esta, martelado por uma solidão multiforme, ruidosa e esmagadora. Anseio chegar a casa rapidamente, como se fugisse de um psicopata sem rosto e sem nome, anseio recolher-me no único sítio que ainda é o meu, apesar de diminuto é o meu resguardo. Desconfortavelmente chego, carregado de sacos de supermercado e garrafas de água que, arrasto esperando não me cruzar com ninguém a quem tenha de dar saudação de circunstância. Sinto-me despido de mim próprio, despido da minha essência, o coração oprimido por um aperto horrível, acelero o passo porque sinto-me no limite da minha resistência, o interior numa convulsão que ameaça rebentar ... desejo que passe depressa e ... já estou novamente com ideias suicidas ... por vezes é como se não visionasse outra alternativa para tantos tormentos que me assaltam um dia e outro, parece estar ali tão perto, tão acessível, tangível ... refugio-me na imagem da minha prima, da minha idade, expressão lívida de morte, ser agora inanimado, subterfúgio único que no momento me acorre ... não consigo. Continuo a acelerar até ao prédio, tal abstracção que nem sinto o peso dos sacos que transporto ... sem compreender a razão de tal fuga, anseio por entrar no prédio onde vivo  e no elevador. Depois percebo ... o elevador abre-se e entro, observo-me ao espelho, observo-me demoradamente naqueles dez ou doze segundos de movimento ascendente ... acalmo-me, não sou real. Ou serei?! que faço aqui, não é aqui o meu lugar ... mas onde será então?! Observo-me e vejo com nitidez que não expresso o que me vai na alma, terei perdido a minha genuinidade?! terei aprendido naturalmente a esconder a minha essência sob uma capa social?! ... é que aquela pessoa que vejo não posso ser eu ... gosto porém do que vejo, gosto bastante ... aquele brilho vivo do olhar que parece sorrir será o prenúncio se uma certa esperança que se imiscui no meu muro de desalento, no muro que construí  com o tempo ... não compreendo o antagonismo entre o meu exterior e o meu interior. Depois percebo ... compreendo a minha necessidade em ter tantas fotos minhas em casa ... percebo agora que pode não passar apenas por uma questão narcisista que muito referem ... apercebo-me da minha necessidade, da sede de me confrontar sistematicamente com a minha imagem, ela acalma-me, apazigua a minha mortificação, tem uma luz que parece não habitar nas minhas trevas internas, que como recurso último abracei. Acalmo-me então ... não aparento o meu dilacerado interior, pareço tranquilo ... afinal terei aprendido a mentir com eficácia, exponho com categoria o pior dos defeitos ou talvez o que mais me enraivece ... acalmo-me, reforço-me ... amanhã será outro dia ... igual talvez ... mas o Sol também está só e ... persiste em brilhar.

 

                                                                            Brama

sinto-me:

publicado por Brama às 22:21
link do post | comentar | favorito
|
15 comentários:
De graduated Fool a 18 de Setembro de 2007 às 01:16
Um texto lindíssimo e soberbamente escrito.
Aparte isso, e porque aqui a gramática, o vocabulário, são secundários, tu deixas-me muito, muito preocupado contigo.
Talvez porque te conheça e saiba o quanto de parecido comigo tens. E não falo só de gostos, de opiniões. Falo do nosso interior, das nossas dores, dos nossos medos, dos nossos desesperos, daquilo que nos acompanha qual fantasmas à noite.
Pensas tu que eu não sei o que, tantas e tantas vezes, vai aí dentro, por trás desses olhos brilhantes e divertidos?
Mas já pensaste que esses mesmos fazem parte de ti muito além do que uma capa de papelão que possas ter criado para o exterior?
Já pensaste que esses olhos são os teus olhos, aqueles que trespassam essa parede que criaste em torno de ti?
Se há alguém que conheço de uma genuidade enorme és tu.
Podes ter uma grande capa para os outros, muitas vezes até para mim, mas eu conheço-te, sei o quanto vai aí dentro, o quanto muitas vezes queres e tens vontade de chorar, de gritar, de explodir. Mas também sei o quanto te ris a bom rir, o quanto brilhas perante várias coisas, o sol imenso que trazes em ti.
E esse existe, está aí, muitas vezes eclipsado mas está aí.
E tu tens um valor imenso, fazes tanta mas tanta falta aqui. E é aqui, tal como o sol, que vais permanecer.
Podes não acreditar mas o teu sol faz-me falta. Faz-me ver que ainda há pessoas extraordinárias.
Amo-te meu amigo imão.


De Brama a 18 de Setembro de 2007 às 15:52
Pára por favor ... agora fizeste-me chorar. beijos grandes


De The Tales Maker a 18 de Setembro de 2007 às 04:10
Acho que não tás só rapaz, tens amigos que se preocupam contigo mesmo estando longe. Vá ânimo, ok?
E se precisares de algo avisa.
Porta-te bem


De Brama a 18 de Setembro de 2007 às 15:53
Obrigado pela força ... mas acho mesmo que isto não tem saída ...


De Maria a 18 de Setembro de 2007 às 17:07
Pois... eu já não sei o que te diga. Tu és uma pessoa deprimida e depressiva que necessita de ajuda, mas não a procura.

As palavras começam a faltar e eu não sei o que dizer que possa fazer algum eco nessa tua cabeça...

Tu não estás bem, porque não gostas de ti, não te aceitas. Isto é o ponto mais importante. Dá as voltas e justificações que quiseres que eu não acredito. TU NÃO GOSTAS DE TI! E não é só a tua sexualidade que não é por ti aceite. É o teu passado, a tua família, a tua auto-imagem, as mágoas que, sendo comuns a todos os mortais, em ti encerram grande sofrimento porque não estão resolvidas.

Tens a tua casa, as tuas músicas, a internet e as tuas rotinas rigidamente impenetráveis. Essa forma de viver é típica de quem se esconde, de quem não consegue lidar com o mundo, com as frustrações, etc. etc. ... É a conversa de há duas semanas atrás: será que Évora é mesmo tão deprimente? As pessoas aqui residentes são assim tão intragáveis? Ou será a forma como tu sentes isto? Sabes porquê? Porque Évora está associada a grandes momentos TEUS de tristeza, de solidão, de discriminação e é isso que tu sentes em Évora. Porque foi aqui que viveste todo o início da tua vida, até ires para Lx e aí encontrares pessoas como tu e sentires que o teu sofrimento poderia ser partilhado e que afinal não estavas sozinho...

Opá.. procura um psicólogo e deixa de ser assim! Aquilo que a ti te parece negro, não é. És tu que não estás bem. Eu tb já tive deprimida, eu sei o que é não ver nada de bom na vida. Mas ultrapassei. Com a ajuda de um psicólogo.

Escreveres textos como este é uma afronta à tua prima. Pensa nisso: estás vivo, tens saúde, tens um emprego, tens uma casa, um carro, tens família e amigos que gostam de ti ... falta-te o mais importante: confiança e amor por ti próprio.

Beijinhos

PS - Tenho vontade de te bater...


De Brama a 18 de Setembro de 2007 às 22:01
Não concordo contigo em muitos aspectos como calculas ... só não tenho culpa que a sociedade em que vivo seja tão redutora e não corresponda às minhas expectativas e aos meus anseios, não estou mal, claro que não ... também não estou bem, mas não é pelo facto de estar desequilibrado, os meus problemas, as minhas angústias, etc, etc, comuns a muita gente, derivam de n factores que tenho tentado ultrpassar pouco a pouco, mas nem sempre é possivel, sobretudo quando avaliando friamente, os resultados não são assim tão motivadores. Não fiz nenhuma afronta à minha prima, simplesmente lembrei-me dela, da imagem dela morta no caixão antes de descer à terra, pensar que até que ponto existe uma clara desvantagem no fim ... não temos nós de amargar com tantos desalentos, desmotivações e sofrimentos diários para pagar o sol que recebemos?! Não concordo contigo no aspecto de não gostar de mim ... acredita que se não gostasse de mim, certamente, muito certamente já cá não estaria. Muitas vezes revolto-me contra mim próprio, preferia ter outras atitudes noutras situações, mas no conjunto acho que me caracterizo mais por aspectos positivos do que negativos, acho que reuno mais factores positivos ... acredita que se me achasse uma pessoa detestável já cá não estaria ... até te digo mais, dificilmente me trocaria por outra pessoa diferente de mim, acho simplesmente que estou no sítio errado, talvez viva também num tempo errado, não sei ...


De Brama a 18 de Setembro de 2007 às 22:01
Não concordo contigo em muitos aspectos como calculas ... só não tenho culpa que a sociedade em que vivo seja tão redutora e não corresponda às minhas expectativas e aos meus anseios, não estou mal, claro que não ... também não estou bem, mas não é pelo facto de estar desequilibrado, os meus problemas, as minhas angústias, etc, etc, comuns a muita gente, derivam de n factores que tenho tentado ultrpassar pouco a pouco, mas nem sempre é possivel, sobretudo quando avaliando friamente, os resultados não são assim tão motivadores. Não fiz nenhuma afronta à minha prima, simplesmente lembrei-me dela, da imagem dela morta no caixão antes de descer à terra, pensar que até que ponto existe uma clara desvantagem no fim ... não temos nós de amargar com tantos desalentos, desmotivações e sofrimentos diários para pagar o sol que recebemos?! Não concordo contigo no aspecto de não gostar de mim ... acredita que se não gostasse de mim, certamente, muito certamente já cá não estaria. Muitas vezes revolto-me contra mim próprio, preferia ter outras atitudes noutras situações, mas no conjunto acho que me caracterizo mais por aspectos positivos do que negativos, acho que reuno mais factores positivos ... acredita que se me achasse uma pessoa detestável já cá não estaria ... até te digo mais, dificilmente me trocaria por outra pessoa diferente de mim, acho simplesmente que estou no sítio errado, talvez viva também num tempo errado, não sei ...


De graduated Fool a 18 de Setembro de 2007 às 23:09
E agora como é que se faz a ponte entre o que o Brama diz e o que a Suspeita diz?
O que sei é que têm ambos razão em alguns aspectos mas, muito sinceramente, acho que por muitos problemas que possas ter, e sei que tens, também exageras muito relativamente ao peso dos mesmos. Coisas tão simples, tão fáceis, são para ti uma enormíssima dor de cabeça que, ao longo dos anos, vai dando cabo de ti. Deixam-te arrasado, cansado, exausto. O fim-de-semana que cá estiveste deu para perceber isso.
Não tomas atenção a nada, não ouves mais de metade das coisas que as pessoas te dizem, vives em função de 2 ou 3 coisas que, no momento, são de extrema importância para ti. E muitas vezes, essas coisas são de uma simplicidade imensa.
Mas, na tua cabeça, o que começa por ser um berlinde, vai aumentado ao ponto de se tornar uma bola de toneladas a pesar dentro de ti.
Lembras-te da questão do multibanco? Uma coisa tão simples e tu passaste o tempo a pensar naquilo, como se fosse algo de extraordinariamente terrível de resolver. O que está por trás da questão aí, já entendo que é bem diferente. Daí concordar contigo e entender-te bem. Não é porque outros estão muito pior que nós, que nós temos de nos sentir bem.
Mas a simples tarefa de teres de transferir 2 ou 3 vezes dinheiro estava a dar contigo quase em louco de tantos nervos. E isso, desculpa-me, mas não é mesmo nada normal. É um exagero, pensa bem se não será!
Penso que eu e a Suspeita concordamos em muito com a maioria das coisas que tu dizes e pensas e, por isso sentimos uma grande admiração por ti, pela pessoa que és, pelos teus valores. Mas vemos, ou procuramos ver, as coisas de forma diferente, menos trágica.
A vida tem muitos berlindes, bolas de vários tamanhos, mas nem todas se devem deixar crescer ao ponto de nos aniquilarem. Não deixes.
Podes não te identificar com muitas coisas, podes sentir que não és daqui, mas é muito melhor estares aqui do que não estares, não existires, não seres.
E eu junto-me à Suspeita para te dar porrada, ouviste?
Segue o conselho dela. Não custa procurares ajuda de um psicólogo, não custa tentares ao menos. Tenta!


De Maria a 19 de Setembro de 2007 às 10:12
«(...) só não tenho culpa que a sociedade em que vivo seja tão redutora e não corresponda às minhas expectativas e aos meus anseios(...)»

- E achas que corresponde aos anseios de todas as pessoas? Vai dizer isso ao desempregado, ao que recebe o ordenado mínimo e tem dois filhos para criar, à pessoa que quer uma consulta e espera mais de 3 meses, aos pais que perderam um filho por negligência hospitalar ... a qualquer ser comum que vive a sua vida, com altos e baixos e com dificuldades. TODAS AS PESSOAS TÊM DIFICULDADES E OBSTÁCULOS PARA ULTRAPASSAR E OS ANSEIOS NEM SEMPRE SÃO CORRESPONDIDOS. Sabes qual a diferença? Os outros «arregaçam as mangas», como se diz, e vão à luta e tu não. És cobarde e atiras as culpas para os outros: «É a sociedade que me limita. É o povo que é burgesso. É o país que é uma merda» ... Só tu é que és 5 estrelas e, para além disso, um mártir, já que vives numa sociedade e num tempo que não é como tu imaginaste! Isso chama-se falta de adaptação à realidade, fraqueza e cobardia. É mais fácil dizer que os outros são culpados, do que olhar para dentro de nós e ver as nosssas fraquezas e culpas...

«Não fiz nenhuma afronta à minha prima, simplesmente lembrei-me dela, da imagem dela morta no caixão antes de descer à terra, pensar que até que ponto existe uma clara desvantagem no fim ... »

- Claro que existe desvantagem. ÓBVIO! Todos morremos e contra isso não há nada a fazer (mesmo que vivesses em nova iorque ou na dinamarca ou nesses sítios que tu idealizas como sendo sinónimo de vida perfeita). Afrontas a memória da tua prima quando te passam pela cabeça ideias suicídas, quando ela dava TUDO para ainda cá estar. Tu estás e não valorizas. Não aproveitas. Para ti é um peso enorme...

«não temos nós de amargar com tantos desalentos, desmotivações e sofrimentos diários para pagar o sol que recebemos?! »

- Estes sentimentos têm a ver com o TEU estado de espírito e não com a realidade em si. Mesmo com dificuldades e incertezas na minha vida e no meu fututo, tal como tu ou, em alguns aspectos, ainda pior, encaro as coisas de forma muito mais positiva. Para mim, cada dia, não é um sofrimento. Muito pelo contrário!

«Não concordo contigo no aspecto de não gostar de mim ... acredita que se não gostasse de mim, certamente, muito certamente já cá não estaria.»

- Não, não gostas. Há coisas em ti que tu não aceitas e esta é a tua maior resistência e é aquilo que não te deixa procurar ajuda especializada. Ainda não percebeste que o mal é, essencialmente, TEU.


De Brama a 19 de Setembro de 2007 às 19:01
Não vale a pena discutirmos mais, assumes uma postura extremista face às tuas certezas acerca de mim, que não correspondem em muitos aspectos à verdade. Eu reconheço que não sou fácil, que em muitos momentos tenho uma personalidade complicada e uma forma pouco saudável de encarar a realidade e os obstáculos da vida ... mas o problema não passa só por mim, evidentemente que não ... já concordaria se, num ambiente generalizadamente propício, eu, por puro capricho complicasse tudo e arranjasse todos os artifícios para complicar a minha vida e a dos outros ... mas não tem sido assim, não é assim.
Discordo em absoluto quando dizes e afirmas com plena certeza que o problema é meu ... não, não é meu. Porque é que será que tanta gente me aprecia e gosta de mim?! Porque é que será que reconhecem em mim diversas qualidades humanas e não só?! Do que já me deu a percepcionar, sou para algus de certa forma uma espécie de modelo em diversos aspectos de atitudes ... tu própria achas que sou muito justo nas minhas avaliações. Então?! em que é que ficamos?! estarei eu mal ou estará o que gravita à minha volta, essencialmente mal?! É óbvio que sou um inadaptado ... qualquer ser humano com um mínimo de sensibilidade vê como absurdamente difícil adaptar-se a este mundo marcadamente doentio em tantos e tantos aspectos ... mas ainda resisto ...
Discordo em absoluto quando dizes que não me aceito, claro que me aceito, não posso é aceitar de ânimo leve o que me rodeia e claro que gosto de mim, acho que sou em muitos aspectos humanos um ser de excepção ... precisamente porque me aceito e não quero abdicar disso é que me revolto sistematicamente, caso contrário acomodar-me-ia simplesmente ... revolto-me e não consigo deixar de o fazer, é mais forte do que eu ...
Acho que criaste os teus conceitos acerca de mim tão vincados que não abdicas dessas ideias primordiais, acreditas nelas piamente e nada te demove, pareces ter ideias feitas acerca de mim.
Lembro-me que uma vez me disseste que se nunca chegasses a ter ninguém nem filhos, a tua vida deixaria de ter qualquer sentido. O que é que isso podeira significar?! quem não te conhecesse diria que não tinhas amor próprio, no entanto eu acho que tens e muito ... as coisas compuseram-se naturalmente porque aconteceu ... e se nada te tivesse acontecido?! como serias agora?! serias uma pessoas talvez quiçá mais amarga, sei lá ...
Essa é também uma parte das minhas angústias, uma parte, porque depois há outras com as quais infelizmente tenho de conviver e tu não ... claro que terás outras que eu não tenho ... continuo a achar que as pessoas têm uma extrema dificuldade em entrar no universo dos outros.
Pensa bem na minha sequência de vida, do que conheces, da parte que conheces e vê com evidência que és absolutamente injusta quando te referes a mim como sendo uma pessoa cobarde ... ou que não tem amor próprio ... imagina-te a viver a solidão que eu vivo, a maior parte dos meus dias e tenta perceber como é extremamente doloroso que ainda me consiga levantar para mais um dia ... pensa no inferno da minha solidão interna e compreenderás que até tenho sido muito forte sozinho.


De graduated Fool a 19 de Setembro de 2007 às 22:56
Relativamente a estes dois comentários, o que acho é que a Suspeita tem mais razão do que o Brama. Desculpa, migo, mas acho.
Concordo contigo em muitas coisas e se vivesse onde tu vives acho que estava também mal. Mas os argumentos da suspeita têm lógica, TÊM!
Deste o passo para comprar casa aí, podes dar um passo para daí sair. Se não o fazes é por comodismo. Tu és extremamente comodista, isso és. Culpas o ensino, a ministra, os concursos, etc... por estares aí e daí não poderes sair. Sim, não é fácil mas podes sair daí, sabes bem. Não daqui em breve, mas és ainda novo, muito novo. Se foste do alentejo para aí e compraste casa e tudo, também podes sair. Ou vais ficar eternamente aí a queixares-te?
Sempre te disse para concorreres para mais perto de Lisboa, na margem sul sempre houve vagas para QZP, não concorreste encostando-te ao argumento de que as escolas são péssimas. Pois fica sabendo que estou numa da margem sul que tem tudo menos de péssima. O ambiente é muito, muito bom.
Estás aí porque queres, sabes bem, por muito que te custe. Estás muito a tempo de daí saires.
Sim, podes ter problemas de saúde mas serão graves? Não será o teu cansaço muito devido ao facto dessa cabeça não parar? De não dormires convenientemente? Achas mesmo que são graves os teus problemas de saúde? E nem vou entrar por caminhos que sabes bem quais são. Tu não tens cuidado, ponto. Isso é o quê????
Não concordo com a Suspeita quando diz que tu não gostas de ti. Eu acho que gostas. Simplesmente odeias quase tudo o que te rodeia e agarrando-te a isso ainda vais odiar mais e mais. Achas saudável ser assim para o resto da vida? Sabes, de entre esses ódios todos também há coisas boas na vida e é nessas que devias apostar. Mas tu desistes à partida porque achas que não vale a pena.
A suspeita referiu que não vives bem com a tua sexualidade, nisso não concordo. Acho que vives bem, até muito bem. Não vives bem é com a forma como a sociedade a encara. E isso, por muito revoltante que seja, não é o fim do mundo. Se achas que está mal, tenta fazer a tua parte, por mínima que seja.
Dizes que a suspeita se agarrou a ideias fixas sobre ti... e tu não te agarraste a ideias fixas sobre ti, a vida e tudo o que te rodeia? Agarraste e com garras de ferro.
Não tens de ser propriamente optimista mas tu és o cúmulo do pessimismo. quem te ouve falar parece que tudo na tua vida é deplorável, horrível, que nada tens de bom. E não é verdade.
A verdade é que tens de ser tu a mudar porque mesmo que fosses viver para um lugar de sonho, mesmo que recebesses um ordenado 10 vezes maior, mesmo que tivesses num país muito melhor, mesmo que a sociedade fosse mais interessante, tu ias arranjar forma de não aproveitar isso. Ias logo procurar uma racha qualquer mínima numa enorme parede imaculada e ias fazer disso um monstro, dando-lhe um destaque que não tem, nem merece.
Sim, volto a dizer que não é fácil, mas e então? Vais ficar assim para o resto da vida? Vais-te deixar afundar? Para quê? Para provar o quê? Para viveres o quê? E vais-te querer matar porquê? Nem vou entar por aqui. sim, a suspeita tem razão. é uma afronta à tua prima, sim. Desculpa mas é.
Falas de uma antiga frase da Suspeita, ok, mas ainda mais ajudas. Se ela pensava assim e já não pensa é porque alguma coisa fez por isso, não? E mesmo que não tenha feito nada, nem que fosse a maior sortuda do mundo, isso quer dizer o quê? Que ficas à espera? Que os sortudos são os outros e tu o azarado?
Sim, as pessoas gostam muito de ti, adoram-te, adoram as tuas opiniões, etc... mas isso não significa que vejam a vida como tu ou que admirem a forma que tens de vê-la. Isso não admiram, certamente.
Mais vale ver uma luz ao fundo do túnel, procurar por ela, tentar alcançá-la, do que estar no túnel completamente às escuras e aí ficar sentado à espera do nada.
A vida é a maior dádiva do mundo e tu parece que fazes questão em desperdiçá-la. Isso sim é uma afronta do tamanho do mundo, sistema solar e galáxia.
Se eu e a suspeita dizemos estas coisas é por algum motivo, não? Porque te adoramos e não queremos que a vida passe por ti sem que dela dês grande conta.
Se nos adoras que tal dar-nos um pouquinho de ouvidos, há, hã, hã? Ai a merda! Levas-me uma chapadorra nessas ventas que nem sabes. Estás a precisar é de levar porrada


De Brama a 20 de Setembro de 2007 às 00:26
Assunto encerrado ... muito há que vocês dois nunca compreenderão ... paciência ... chega ...
bem e eu não me refiro a problemas de saúde, quem quer que leia isto ainda vai pensar que eu sofro de alguma doença terminal ou venérea... por favor ... e claro que não seria mais feliz por viver mais perto de Lisboa, talvez fosse mais um pouco mas duvido que fosse felícissimo, isso não seria certamente, o país funcima mal na sua generalidade e isso é extensivo a todo o território nacional, não pára quando se chega a Lisboa ... a má gestão é geral, a corrupção também, o compadrio, a mesqueinhez de mentalidades, a pobreza de espírito, a ignorância, os assuntos do dia ... nada muda assim tanto ... talvez estivesse um pouco melhor pela maior oferta cultural por exemplo, ou por estar mais perto de toda a gente ... quem quer que leia isto vai ficar com a pior opinião acerca da pessoa que sou, por favor ... que exagero tamanho ... eu admito que tenho os meus defeitos, alguns tento melhorar, mas as pessoas não se podem transfifurar de um dia para o outro e as coisas não são assim tão fáceis e rápidas ... mudar, sim posso mudar, tenho lugares disponíveis que nunca mais acabam noutras áreas do país e além disso o mercado de trabalho em Portugal é assim, dinâmico, há montes de ofertas bem remuneradas ... vendas e compras de casas é só um pormenor, não implicam burocracia, tempo a vender e a comprar, tenho dinheiro de reserva que só visto, para eventuais despesas das que sabemos ... é tudo uma maravilha ... o país facilita que é obra, é tudo uma facilidade tremenda ...sim, posso até ser comodista, mas que alternativas reais tenho, só sair do país, mas correr riscos? e que riscos?! vocês fariam isso assim de ânimo leve? longe de tudo e todos por incertezas, tento um trabalho mais ou menos certo nos dias que correm?! pois, isto é assim, falar dos outros é sempre mais fácil e arranjar ou achar que se arranjam soluções para os demais, o problema é o resto ... e quando ainda temos alguém para nos acompanhar, isso dá-nosd alguma força e ajuda a pensar, agora sozinho, tudo se dimensiona de outra forma ... bem, não vou falar mais deste assunto, chega ... eu não vou falar mais ...


De Maria a 20 de Setembro de 2007 às 10:12
O «Graduated Fool» tem razão. Faço minhas as suas palavras.

Só quero dizer uma coisa: Percebo que o ter alguém é fundamental. Mas também já te disse que até aí tu tens que mudar. Eu idealizava um tipo de pessoa. O meu marido não cabe na idealização que eu tinha, e tu sabes das nossas diferenças. Somos opostos em muita coisa... Mas eu amo-o e consigo conviver com essas diferenças e ele com as minhas. Mas há 10 anos atrás, se me dissessem que eu ia casar com um caçador, católico, de direita e do sporting, eu dava um tiro na cabeça!!! ;) Agora, com excepção da caça, nem sequer sentimos essas diferenças. Ele faz as coisas que lhe dão prazer (ir à missa ao domingo, por exemplo) e eu farto-me de dizer mal de deus e da igreja e do outro e pronto! Felizes cada um à sua maneira.

E tu? Já pensaste na tua postura em relação a encontrar alguém? Já nem sequer falo da promiscuidade, que acredito que seja complicado encontrar alguém decente e honesto. Mas qq factor, característica, detalhe que não couber na tua idealização, a pessoa é logo dispensada: um é pq gosta de futebol, o outro é pq é forcado, depois há alguém que até é atraente mas não gosta de música e nem pensar andar com alguém que não ouve música... tu funcionas muito assim. Colocaste-te num pedestal e não é qq mortal que te serve. Queres saber uma novidade? O príncipe encantado NÃO EXISTE!

Uma última nota: o facto de teres pessoas que gostam de ti e te admiram, não significa que concordem com a tua postura e forma de estar. TODAS as pessoas que eu conheço, que também te conhecem, independentemnete de gostarem de ti, pensam o mesmo: «ele assim não vai longe. A sua postura e forma de pensar em relação a uma série de assuntos não é normal, não é saudável». E olha que todas gostam muito de ti...

Beijinhos


De graduated Fool a 20 de Setembro de 2007 às 14:50
Mas tu estás tonto ou quê????
Então, não gostas e encerras o assunto? Ai!
Então se não te entendemos, se o assunto encerra, se ficas chateado com o que dizemos para teu bem, para que é que tens um blog?
E responderes ironicamente com o teu humor (que sim tem graça, muita graça e eu adoro), numa situação destas não faz qualquer sentido. Porquê essas divagações? Alguém disse que os empregos abundam? Para quê esse desnecessário conjunto de ironias? Alguém disse que a situação está facil? Não. Sabemos que não. Mas tu consegues torná-la mais difícil, fazes por isso. E isso é comodismo.
Tu não dás aulas há 2 ou 3 anos. Tu és efectivo e sempre vão abrindo vagas, poucas, aqui ou ali. Não te mexes porque não queres sequer tentar. Eu já mudei de qzp 2 vezes, caso te tenhas esquecido. Estive em Setúbal, mudei para Oeste e voltei para Setúbal. Já mudei de casa, voltei à mesma. Já decorei 3 casas. Sim, gastei dinheiro, muito dinheiro. Sim andei a contar tostões, sim acreditei nas pessoas. Sim, hoje vejo o quanto dinheiro perdi. Sim, hoje vejo que estou a trabalhar mto longe e acordo às 5 da manhã porque mudei de qzp. Sim, dei-me mal. Mas e seria melhor se não tivesse tentado?
E vender uma casa dá trabalho, papelada, etc... mas não é nada do outro mundo. As pessoas fazem isso. Todos os dias se compram e vendem casas.
Tu podes ter alguma razão e até muita razão em muitas coisas. Sabes que eu em muito concordo contigo, mas não é entrando nesses exageros que convences. Ainda te enterras mais, homem!
Sim este país é uma merda. E então vamo-nos todos enterrar nela calmamente? Sim, há países bem melhores e então? Serão assim tão bons? E se forem? Vai para lá lavar pratos, pronto. Não achas melhor? Se não achas então não te queixes tanto. Queixa-te mas não a este ponto de um exagero imenso.
Sim, não és rico, mas também estás longe de viver na miséria. Sim, podes não ter nenhum grave problema de saúde, e então isso não é tão bom? Sim, a vida é puta, mas se não existir será melhor? Sim, estás sozinho e não queres estar? é assim tão difícil ser feliz sozinho? E se for, é assim que vais ter alguém?
Tens tantas e tantas coisas, porque é que não vês isso? Será que és comodista ao ponto de nem querer isso ver?


De Brama a 20 de Setembro de 2007 às 18:07
Discordo no exagero com que vocês me caracterizam, já tenho vindo a notar que em muitas coisas exercem um exagero quando se referem a mim ... não sou tão inflexível quanto me possam dizer, mas como se pode demonstrar se ainda não me foi dada real oportunidade de .... curiosamente, quer um quer outro são noutros detalhes mais inflexíveis que eu ... mas claro, continuamos todos com uma dificuldade terríveml em avaliarmo-nos a nós mesmos ... não sei se já repararam, mas quer um quer outro de vós tem mais dificuldade em aceitar um simples reparo do que eu?! será que ainda não se aperceberam desse pormenor?! na prática do dia-a-dia ... eu sei que o texto se refere a mim e como tal é sobre mim que recai a bomba, lógico, bem ... mas não nos vamos alargar mais, daqui a pouco tenho a minha vida exposta nestes comentários e mais vale criar um só blog para continuar a comentar ...
E não, não há príncipes encantados, também o sei, não sou assim tão limitado que continue a acreditar na Alice no país das maravilhas, vocês sabem perfeitamente que até encontrar pessoas minimamente interessantes, sensíveis e minimamente agradáveis à vista é muito difícil, não me refiro a seres de excepção, refiro-me tão sómente a pessoas com alguma conversa interessante, com alguns valores de respeito, sinceridade, fidelidade, essas coisas assim tão cada vez mais raras e ...com alguma graça., não digo lindas, mas com aspecto agradável e higiénico ... é bastante raro, pensem bem ....
e pronto, esta looonga conversa poderá continuar pessoalmente, já me estendi demais aqui ...


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. SIA Lentil

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Crato no "Mundo Perdido" ...

. Sem "papas na língua", co...

. Heartbeat Educação

. Que seria de nós sem um G...

. Como estamos em Ditadura ...

. Born Free

. MDNA, in full conviction!

. Cheikh N`Digel Lô e MDNA

. É assim que Shanghai pens...

. Aziza Mustafa Zadeh

. O tempo é escasso

. Só para relaxar um pouco ...

. Mulher que mata qualquer ...

. She give me money ... whe...

. Ainda estou vivo

. Because of You ...

. Inté

.arquivos

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Junho 2012

. Dezembro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Setembro 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds