Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Inté

Ora bem, tenho andado ausente mas ainda estou vivo ... em breve retomarei mas por agora vou continuar ausente mais uns dias ...

 

Sabem o que é, o Verão é incompatível com teclados ... não há paciência e depois a minha casa é um forno para estar sentado frente ao computador a escrever sobre uma palermice qualquer ... ou não.

 

Não ... não pretendo instalar ar condicionado, é um agente fortemente prejudicial à saúde do nosso planeta e também à minha gargantinha ... antes da invenção do ar condicionado, ninguém morreu por falta dele e o ambiente estava mais saudável.

 

Bem, chega, mal aqui venho já começo a perder-me em raciocínios.

 

Voltarei quando estiver mais fresco ... até porque há tanto para dizer.

 

Sim, as férias foram óptimas ... a seu tempo falarei, melhor, escreverei.

Brama

 


publicado por Brama às 01:24
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Observações de Maria Antónia II

1  Agora há livros de tudo e toda a gente é escritor. A Fátima Lopes, o Ronaldo, todos os jornalistas e as modelos ... tudo escreve. Escreve-se sobre como se gera uma criança, como se cuida a criança, como se senta à mesa, como se fala, como se tosse, como se caga e como se mija. Num país onde se lê tão pouco, tudo é escritor e de tudo se faz um livro.

 

A SIC tem ido buscar tudo ao caixote do lixo. Só pedantes, vaidosas, parvas e cabeças ocas.

Agora os ilustres comentadores da SIC são aquele prostituto, o Zezé Camarinha, a Maya com aquelas mãos e aquele nariz de bruxa, o Castelo Branco (que ninguém sabe o que é, nem el@ própri@), a Ana Maria Lucas, a Marta Cardoso (aquela que foi espancada), o Cláudio Ramos, o Daniel Nascimento ... depois queixam-se de perder audiências.

 

Fazem campanhas de angariação de fundos para ajudar a combater a pobreza mas são os outros que ajudam e contribuem, quase sempre os que menos podem. Elas vão mostrar os vestidos e as toilettes.

 

Começam como manequins, mas rapidamente cantam, escrevem livros, são actrizes, artistas, pintam, depois passam a ser embaixatrizes da boa-vontade, comentam isto e aquilo, sabem de tudo.

Depois temos sempre os mesmos corruptos que são administradores da EDP, depois da Sonae, demitem-se e vão p'ra Galp, depois são ministros, depois secretários de estado, depois voltam a ser administradores do Banco de Portugal, depois fazem coligações disto e daquilo, bem ... é um círculo vicioso e são sempre os mesmos parasitas. Como é que isto há-de andar p'ra frente!


publicado por Brama às 00:39
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Observações de Maria Antónia I

"Jesus Cristo está sentado à direita do Pai" ...

      

Ora ... está sentado à direita do Pai, sentado à direita do Pai há mais de 2000 anos,

concerteza que já tem calos no cu.

 

2  Que Deus é esse tão bom e misericordioso que nos dá as doenças, a morte e o

sofrimento?!

 

"Ai Deus me cure" ... sim, para isso não dava logo a doença, para nem perder tempo a ter

de a curar.

 

"Salvou-se aquela menina do acidente, foi um milagre!"

 

Pois claro, morreram 100 no acidente, mas ter-se salvo uma foi um verdadeiro milagre.

 Milagre seria ter-se dado o acidente e não ter morrido ninguém


publicado por Brama às 00:27
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Genocídio Relacional

 

Na era dos extraordinários, super avançados, sofisticados meios de comunicação, na linha certeira do progresso tecnológico, no caminho exacto da proximidade geográfica, no percurso efectivo da relativização das distâncias … nada falha … nada falha!!! NADA FALHA??!
 
Falha muito porque falha o essencial da natureza humana. Falha o contacto social, falha a comunicação entre as pessoas, falha a disponibilidade real para os outros, falha o toque, falha o olhar o outro, falha o entendimento, falha o ouvir o outro. Esta era uma certeza e o Homem não conseguiu reunir esforços para evitar o desenlace … fatal. Na era da proximidade, nunca estivemos tão afastados como agora. Na era da proximidade nunca nos isolámos tanto como agora ainda que, na presença física do outro. O momento actual é, na realidade, o início do fim da nossa existência enquanto seres gregários … viver em grupo ou em bandos até já vai sendo uma raridade inclusive para os pássaros … nós temo-nos empenhado também em destruir pouco a pouco as outras espécies viventes. Somos horríveis mas, temos uma virtude: somos solidários e não queremos o inferno só para nós. Mais que nunca, estamos verdadeiramente empenhados em não deixar nada descansado neste planeta porque temos outra virtude: somos insatisfeitos, insatisfação essa que cresce na razão proporcional ao “dinamitar” do sistema global.
Nós diferimos um pouco desta nova geração dos jovens de agora, cada vez mais artificial e menos comunicativa. Diferimos porque não aprendemos a linguagem que nos vai sendo imposta pouco a pouco e todos os dias, diferimos porque ensinaram-nos a dialogar e a comunicar, diferimos porque nos criaram a ideia (agora talvez desadequada ou ideia meio obsoleta), de que seria importante o contacto humano, o respeito pelos outros, a disponibilidade para os outros, etc, etc … e tantos valores primordiais num tempo que vai deixando de existir … um quadro ricamente colorido que não se compadece com uma Sociedade desprovida de cor e de tempo. Já todos nos demos conta de que não há tempo … nele cabem apenas e já a muito custo os nossos próprios objectivos e as nossas motivações.
As novas gerações iniciaram-se numa linguagem algo diferente. Desde cedo e porque a Sociedade também é outra, aprenderam a não comunicar. Basta observar os nossos alunos … não comunicam com os pais porque não têm tempo durante o dia e o pouco tempo disponível é passado na net, na televisão, no ipod ; não comunicam com os seus amigos, apenas através do msn ou do telemóvel; na aula, pouco ou nada comunicam com os seus pares quando é fundamental (refiro-me por exemplo à necessidade de trabalharem em grupo), … quando o fazem, continuam a “não comunicar”, uma vez que se limitam a um conjunto de vocábulos desarticulados, onde falta por norma sempre qualquer elemento gramatical (verbo, adjectivo, advérbio, …), um conjunto de agressões verbais ou ameaças físicas; ainda na aula, não comunicam com o professor ainda que este o solicite, porque a norma é não estarem a ouvir (mais importante era a mensagem de telemóvel que, às escondidas, ficou pendente, para avisar o colega da sala ao lado do encontro no intervalo ou, a tentativa disfarçada de ouvir a nova música da Britney que é “bué-da-fixe”). Como não comunicam, também não pensam e ainda bem (consideram de imediato), porque dá muito trabalho. Como não pensam porque implica esforço, também não desenvolvem resistência às adversidades diárias nem há empenho em suplantá-las … até porque (e aqui entra em linha de conta outro drama actual), estão habituados pelos pais a terem tudo facilmente. Os pais por falta de tempo real nuns casos e pouca vontade noutros, para estarem efectivamente com eles, acompanhá-los devidamente como seria de sua competência, compensam-nos a nível material e contribuem para perpetuar na sua educação os valores do mediatismo, das aparências, do descartável. E no fim, atacam os professores daquilo que são os seus próprios erros. Não sabem o que fazer, queixam-se que os seus meninos não gostam de nada, não agradecem o último grito do telemóvel, o nosso portátil e depositam nos professores a solução de todos os males porque crêem que estes estão munidos das receitas profissionais para os erros que eles não quiseram ver e corrigir atempadamente. No fim, temos um grupo de jovens amuados, rabugentos, desinteressados de tudo e de todos, insatisfeitos, muito sós e sem dúvida, infelizes … seguramente bem mais do que nós fomos na sua idade.
Mas nem tudo é pior … estes jovens já vão preparados com muito avanço relativamente a nós, para a “doente” Sociedade que cresce a pouco e pouco e já tão aceleradamente, uma Sociedade em que todos estaremos muito e cada vez mais sós, em que está decretada a crise relacional, o sucumbir das ligações humanas, o fim da essência dos homens. Também estão melhor preparados porque resistem demasiado a pensar … no futuro estarão em perfeita sintonia com a Sociedade que os espera.
 
 
                                                                                                                                                   Brama

publicado por Brama às 00:07
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Pavonear a Intelectualidade

 

X: _ Estou farto de conversas triviais, repetições de banalidades e discurso estéril. Não se aprende nada.
Y: _ Pois olha, eu estou é farto de gente que se arma em muito intelectual e não consegue descer desse pedestal de convencida sabedoria.
X: _ Quando é demais também aborrece, é um facto. Mas cansam-me aquelas conversinhas de “trazer por casa” … discurso incipiente que não adianta e talvez, só atrase. No final o que é que fica? O que é que se aprende que nos faça crescer como supostos seres dotados de racionalidade e inteligência?
Y: _ Poderá não trazer nada … mas também depende do contexto. Mas digo-te, conversas muito elaboradas com discurso complexo, por vezes imperceptível para a generalidade dos ouvintes, deambulações etéreas que depois de espremidas não resolvem questões práticas da nossa vida, também não passam de uma desnecessária ostentação de suposta sabedoria.
X: _ É um facto. O ideal é encontrar aí um equilíbrio. O grande problema é definir esse equilíbrio. Por norma, as pessoas movem-se nos extremos, ou têm um discurso sistematicamente vazio e corrente, ou armam-se em rotineiros intelectuais ou aspirantes a alegada intelectualidade (os comummente apelidados de pseudo-intelectuais) . Ambos se tornam chatos, mas continuo a optar pelos segundos. Pelo menos, fico com a sensação de que aprendi algo.
Y: _ Continuo a achar que depende do contexto. Eu gosto de ter conversas interessantes e das quais retiro proveito real mas, quando por exemplo saímos pela noite dentro, prefiro não ocupar a cabeça com elaboradas dissertações. Por favor!!! … passamos a semana a trabalhar, a ter de dar resposta a n coisas, obrigações profissionais e pessoais. Deixem-me pelo menos descontrair a cabeça ao fim-de-semana e ter as tais conversas banais, que muitas vezes nos divertem, nos deixam mais soltos e não massacram o cérebro.
X: _ Sim, concordo. Quantas vezes prefiro exactamente não ter de me ocupar com complicados raciocínios. A mente também precisa relaxar. O problema reside tão somente no facto de que, na maioria das vezes, estas conversas do dia-a-dia, acabam por ser isso mesmo, diárias e portanto, mais frequentes que a medida do desejável e no final, ficamos com a desagradável sensação que perdemos demasiado tempo útil com generalidades.
Y: _ Pois … seja como for. Continuo a ter mais paciência para estas conversas de gente simples, que muitas vezes o é genuinamente do que, alimentar o exibicionismo dos tais “candidatos a intelectuais”, cheios de manias de que sabem tudo. Quantas vezes são incapazes de resolver situações concretas da vida, porque se mantêm nos seus “casulinhos de intocável cognição”, estando afastados da Sociedade real e martirizando as cabecinhas com pensamentos desprovidos de sentido.
X: _ Também não tem forçosamente de ser em vão. Acho que há sempre benefícios a retirar de uma conversa mais elevada, ainda que pouco inteligível ou aplicável à prática quotidiana. Somos seres racionais e raciocinar, reflectir, equacionar determinados assuntos será sempre proveitoso à nossa capacidade de percepcionar e sentir o mundo que nos rodeia e a relação com o outro.
Y: _ Olha dou-te um exemplo e que tem até relação com a nossa profissão. Leccionei há anos numa escola em que um grupinho de colegas decidiu pôr em prática uma tertúlia semanal alusiva a um tema qualquer, que mudava semanalmente. Depois cada um fazia uma exaustiva pesquisa semanal para debater e trocar impressões em grupo. Sabes o que acabou por acontecer? Essas tertúlias, que poderiam ter sido promissoras discussões de ideias, acabaram por se tornar num tipo de campeonato em que cada um mostrava o que sabia, unicamente com o intuito de brilhar junto dos colegas e alimentar o próprio ego.
 X:_ Como se fossem pavões emplumados em época de acasalamento, que competem para exibir quem tem a mais brilhante, colorida e bela cauda!
Y: _ Exactamente … Não há pachorra para isso, sinceramente. É inútil esse tipo de exibicionismo. Se pensares bem, constatarás que a grande maioria das pessoas prende-se muitas vezes com grandes intelectualidades, não com o fim exclusivo de explicitar ou esclarecer mas, para se evidenciar junto dos outros. Mais do que uma preocupação cognitiva, está em causa o conceito de auto-imagem, afirmação e acima de tudo, a opinião dos outros. Raras vezes se adianta algo de proveitoso, por exemplo, na resolução das questões primordiais do Homem.
X: _ Poderás ter parte de razão e o raciocínio faz sentido. No entanto, não creio que estas conversas se traduzam apenas num objectivo único de auto-afirmação perante os outros. Ao aprendermos algo mais, também enriquecemos interiormente e secundarizo a questão do exibicionismo. Continuo a preferir aprender mais e deixar para segundo plano a intenção.
 
                                                                                                                               Brama
 

 


publicado por Brama às 16:45
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Só para não ter de Pensar

X: _ Sabes que já não tenho paciência para aquelas coisas … aliás, na verdade nunca tive. Apesar de ser boa pessoa, é vazio de conteúdo. Não se aprende nada com ele.

Y: _ Sim, é verdade mas tens de aprender a ser mais permeável à personalidade dos outros e mais tolerante para com o seu universo. Aí reside o teu problema.

X: _ Eu conheço-o há mais tempo. Ele sempre foi assim, apenas envelheceu fisicamente. De resto, as motivações são as mesmas, os interesses quase nulos e o discurso … idêntico. Por vezes sinto que perco o meu tempo.

Y: _ Isso também não é verdade. Várias pessoas observam-no de forma diferente e há sempre uma evolução nas pessoas, ainda que pouco visível.

X: _ Pois eu não acho, as conversas são sempre as mesmas, as piadas também. Gosto dele como pessoa mas não me acrescenta nada de útil em termos de aprendizagem significante. Que temas podes falar com alguém que não tem paciência para pensar ou reflectir sobre nada?

Y: _ Porque ele recusa-se a “perder” tempo a pensar. Além de sexo, drogas e álcool, nada faz parte do seu universo. Acaba por ser um refúgio, o seu refúgio.

X: _ É isso que me faz confusão, nortear a vida por um conjunto de prazeres físicos em queda para a decadência pessoal, sem que haja reflexão sobre aspectos mais elevados ou, pelo menos, instrutivos.

Y: _ Talvez seja uma escapatória para não ter de pensar naquilo que o constrange ou o faz sofrer. Sabemos que não vamos mudar nada. Como tal, terás de aceitar as pessoas e aprender a estar com ele em situações determinadas.

X: _ Desculpa mas carências afectivas e emocionais todos temos. Eu também as tenho e interesso-me por outros assuntos e gosto de falar deles.

Y: _ Mas isso és tu que és assim, também por isso não és vazio como ele. Tens interesse em explorar temáticas relevantes. Mas deves aprender a descentrar-te de ti e do que gostas para interpretares o que sentem os outros.

X: _ Nós não vivemos só do facto de ter alguém nas nossas vidas para nos iluminar os dias. A vida é muito mais do que isso. Aliás, há questões emocionais sobre as quais já me aborrece reflectir porque me fazem sofrer. Prefiro não ter de pensar nelas e canalizar a atenção para outras questões. Talvez seja também uma fuga.

Y: _ Mas deverias pensar nelas de alguma forma, também fazem parte. Nesse aspecto vocês são iguais.

X: _ Em que aspecto?                                    

Y: _ Ambos tentam escapar a ter de pensar na parte afectiva. Apenas utilizam armas diferentes com o objectivo de sobreviver.

X: _ Sim, é verdade que prefiro não ter de pensar nisto e “apagar” o mais possível as questões emocionais. Mas também não temos de viver em função delas. Que tal ocupar a cabeça com algo mais produtivo?

Y: _ Para ele é mais produtivo ocupar o tempo com sexo, drogas e álcool. Pelo menos retira mais prazer.  

 

                                                                                                       Brama


publicado por Brama às 15:22
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Domingo, 25 de Novembro de 2007

Vou ausentar-me algum tempo

Pois é ...não estranhem se me ausentar por algum tempo. Se não comentar os vossos posts, não é por mal. Simplesmente sinto-me absurdamente cansado, tão cansado que só de pensar que amanhã recomeço outra vez, quase desespero. Mesmo descansando todo o fim-de-semana, isto está mesmo difícil, não consigo recuperar. Mesmo após dormir quase doze horas, a coisa não está a surtir efeito nenhum. Assim, a única solução é fugir aos blogs temporariamente. Isto é um vício tremendo ... estou sempre desejoso de escrever coisas, mil ideias me martelam o cérebro e vejo-me estupidamente sem tempo para escrever o que quer que seja. Isto tudo agravado do facto de querer comentar tudo o que os outros escrevem, o que também é muito difícil. Uns dias para descansar dos blogs. Abraços e beijos a todos.

 

                                                                                                                                      Brama


publicado por Brama às 23:28
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É incrível o que a idade nos faz ...

Se quando tinha 15 anos me dissessem que, quando fosse mais velho, ainda saberia apreciar um bom vinho tinto ou até conseguir beber um whisky e que conseguiria efectivamente emocionar-me a ouvir cantar um fado, a minha reacção seria no mínimo uma risada bem disposta. Agora, passados todos estes anos, vejo que acompanhar um bom jantar, na presença daquelas pessoas especiais e com um bom vinho tinto, de preferência, é sempre um momento bem passado. O fado, como mais  elevada expressão da alma portuguesa, é também algo que se aprende a gostar e actualmente confesso que me emociona bastante.

 

                                                                                                                                            Brama


publicado por Brama às 03:30
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Haverá o tempo em que ....

Quem inflige dor e sofrimento nos demais, também cairá do seu trono de pretenso poder. O poder tolda as mentes, fá-las pensar a curto prazo, numa lógica mediatista ... cega. O Homem é o mau produto da parede putrefacta que erigiu em seu redor e sucumbirá sob a sua pérfida obra, o Homem tornou o mundo feio, muito feio e o ar quase irrespirável. Já muitos que treparam alto demais caíram como tordos e foram esmagados, espezinhados por outros cães raivosos, sequiosos de poder e de domínio, que a seu tempo também cairão ...  é a lógica do equilíbrio. Num mundo cada vez mais relativo, as posições dominantes por alguns ocupadas, são frágeis e com facilidade caducam, como uma série de peças de dominó alinhadas em que, um ligeiro toque numa delas arrasta e deita abaixo todas as outras com ligeireza.

Quero estar cá para ver ainda alguns desses cães raivosos (sem desprimor para com os cães), caírem do pedestal que meticulosamente construíram ... quero ver algumas cabeças rolarem à minha frente.

 

Haverá o tempo em que os grandes também cairão ... e serão infinitamente pequenos

 

                                                                                                                                                Brama

 

sinto-me:
música: Beth Gibbons & Patrick Wolf

publicado por Brama às 13:44
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Sábado, 20 de Outubro de 2007

A concorrência tá muito forte ...

Há fenómenos de incrivel sucesso que me assustam, não porque cada um não deva ter legitimamente os seus gostos e consiga ver beleza e interesse em coisas em que outros não conseguem. Gosto da diversidade, mas continua a causar-me alguma confusão quando determinadas coisas que, para mim não têm qualquer interesse ou não são minimamente apelativas, possam ter um sucesso esmagador junto da maioria das pessoas. Fico a pensar seriamente no assunto e a concluir que, a única razão que pode explicar este fenómeno é a terrível dissemelhança entre mim e a generalidade das pessoas. Em termos musicais, há muitos desses fenómenos. Em Portugal temos o caso mediático de que me lembrei agorinha mesmo, Tony Carreira. Este caso de incrível sucesso deixa-me perplexo, juro que já tentei ouvir e procurar algum interesse, mas é impossível percepcioná-lo, não existe mesmo. O homem não canta nada, as letras são absolutamente desinteressantes, todo o reportório e afins são péssimos, mas o senhor tem um sucesso estrondoso, sobretudo no meio do mulherio frustrado e afectivamente carente de todos os escalões etários ... será mais um fenómeno de alucinação global?! Do nosso irmão americano surgiu um fenómeno que, entre muitos outros da mesma proveniência, deu muito que falar, Daniela Mercury ... o que é aquilo?! Nem sei, uma perturbação generalizada ... toda a minha gente dançando aquelas musiquetas sem graça alguma em tudo o que era discoteca, tudo a caminho de concertos da senhora, uma seguidora da mamalhuda Fafá de Belém em energia pelo menos.

Agora temos a Shakira, esta rapariga super estranha ... tem uma voz péssima, uma aberrante formatação/desformatação de um qualquer sistema informático obsoleto, um terror auditivo, seguramente uma das piores vozes do panorama musical internacional, as músicas latino-popularuchas patéticas, um constante e incansável menear de ancas, um ar absolutamente desinteressante e vulgar sem qualquer classe ou mínimo requinte, uma pobreza horizontal, vertical e transversal, um atentado televisivo, não obstante, um sucesso sem precedentes em termos internacionais. A moça que a seguir se apresenta, apesar de propositadamente parodiar o "Whenever Wherever" da Shakira, consegue ser muito melhor ... tá mais que na hora da Shakira temer a concorrência.

 

                                                                                                                     Brama

 

música: Shakira - Whatever ... bah, never

publicado por Brama às 17:52
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Na Cova da Iria ... Iô!

(Imagem retirada da Internet)

 

Dia:    13 de Maio de 1917 

Local: Sobre uma azinheira, na Cova da Iria

Acontecimento: Alucinação pela fome ou ... Discussão doméstica?!

 

1ª Versão:

 

Três humildes e pobres pastorinhos de tenra idade (Lúcia dos Santos, 10 anos;  Jacinta Marto, 7 anos; e Francisco Marto, 9 anos), através de uma combinação imbrincada de direcção dos raios solares e irradiação terrestre, bem como outros fenómenos atmosféricos precisos, associados à sua pureza e ingenuidade, agravados de uma estado de subnutrição extrema, juram ter visto uma aparição divina dos céus, de forma humana e emitindo sons e palavras. Na calma campestre que os envolvia, a alucinação foi geral e dimensionada às três crianças. Elas de facto viram ... padecendo de fome, elas viram o que dizem, mas não o que é.

 

 

2ª Versão:

 

A jovem Maria de Fátima, após feia discussão com o senhor seu pai (pelas já conhecidas incompatibilidades políticas), em pleno dia de seu matrimónio, decide, imbuida do já rebelde mau feitio que a caracteriza, abandonar a casa e ... lívida e chorosa, mas de geniozinho retorcido ... foge pelos campos, erguendo o longo vestido branco, poupando-o o melhor possível ao lamaçal. Ainda em casa, no momento da alegada  fuga,  vira -se para o senhor seu pai, cuspindo uns quantos impropérios, grita palavras de ordem e chantageia, ameaçando suicidar-se, atirando-se de uma azinheira próxima.

No momento em que, com dificuldade se preparava para subir ao vegetal, numa irritabilidade conjunta de reter as lágrimas, acalmar o descontrolado sistema nervoso, tentar descalçar-se para melhor trepar e ajeitar o melhor possível o longo, pesado e complicado vestido, aproximam-se três ternas criancinhas. Assustada pela surpresa de não estar só, tenta trepar para a azinheira com mais rapidez, furtando-se o melhor possível ao alcance de qualquer um que a desmotivasse do acto já mentalizado. Os três pequenos acercam-se e rodeiam a árvore num misto de espanto, maravilha e algum receio também; nunca antes haviam visto um ser tão belo, cheio de luz e um vestido que, não sendo decotado, assentava belíssimamente bem naquelas esfíngicas formas corporais. Estavam boquiabertos perante semelhante visão. Sentindo-se absolutamente embaraçada, mas apaziguando ante seis olhinhos palpitantes de admiração, sentiu seu ego alimentado e acalmou-se, estupidificando tresloucado acto que ameaçava executar. Evidentemente emocionada, Maria de Fátima, no fundo uma excelente pessoa, decidiu então contar uma história aos três meninos. Deu para perceber que não estava habituada a lidar com crianças, ignorando as necessárias técnicas de pedagogia infantil, pois começou com um discurso algo político, numa linguagem no mínimo, "milagrosa" para os jovenzinhos. Apresenta-lhes uma visão do inferno: aqui acho que agiu mal, coitados daquelas sofridas e esfaimadas crianças, assustadas com a possibilidade de estarem condenadas a penas eternas, depois de passarem tanto até ao momento. Explica-lhes, qual vidente, que a guerra terminará, mas poderá começar outra vez se os homens assim o entenderem, no reinado de Pio XI ( que milagre ou segredo esquisito e algo incongruente!). Para finalizar e baralhar ainda mais, os singelos e massacrados cerebrozinhos, fala do fim do comunismo, da conversão da Rússia. Por favor! que grande seca apanham as crianças que nem ler e escrever saberiam. Como se não bastasse, assaltada por uma necessidade de cruel sadismo, anda a perseguir as crianças, aparecendo outras vezes a Lúcia. No meio desta possivel explicação, fico com pena dos mocinhos, que sofreram do início ao fim, de pobrezinhos e perseguidos.

 

 Podem chamar-me herege por abordar a aparição de Fátima desta forma jocosa, mas de facto, se alguém se pode sentir pessoalmente lesado ou ofendido, também eu tenho direito a sentir-me lesado e enganado por um acontecimento no mínimo desprovido de qualquer lógica e sentido. Este acontecimento é antes de mais, político, tem objectivos políticos no tempo em que surge e é, depois sustentado, igualmente por questões políticas e económicas. O Santuário de Fátima dá imenso jeito ao bolso de muita gente hipócrita e falsamente religiosa ... e para quê uma nova Basílica?! não entendo ... alguém entende?! 

 

E foi assim na Cova da Iria, que apareceu Fátima a Virgem Maria ... Iô, Iô ...tá-se bem

 

                                                                                                               Brama

sinto-me:
música: E foi assim, na cova da Iria, iô!

publicado por Brama às 10:49
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Sábado, 15 de Setembro de 2007

ALEGADO Textozito!!!

Pois é ... de tempos a tempos há palavras que funcionam, por exemplo, como bengalas jornalísticas, ou proferidas pelo cidadão comum como se fosse uma moda. Uma das últimas que eu adorava era a palavra "desvio" ... não, não tem nada a ver com comportamentos desviantes da norma. A palavra "desvio" era verbalizada sistematicamente, noticiário após noticiário, reportando-se a um tipo de roubo com classe, perpetrado por gente importante da nossa praça ... políticos, gestores, empresários, engenheiros, gerentes desportivos, vereadores, etc, etc ... gente com algum estatuto ou reconhecimento público. "Desvio" é um conceito giro, não é para qualquer um, o rico desvia somas porque quem rouba é o pobre. "Desvio" traduz eficazmente o nojo hipócrita do português tradicional, minimizando ou relativizando um acto criminoso concebido por alguém economicamente estável e socialmente confortável, uma vez que "desviamos" a evidência de um roubo colossal para um eventual ou ( agora entra já o conceito a que me refiro neste post) um "alegado" furto. Acho lindo e dá-me palpitações no encéfalo.

 

Agora temos sempre na boca de todos a palavra "Alegado". Os crimes, as violações, os réus, os homicídios, os suicídios, a violência doméstica, ... tudo é "alegado" até já não se aguentar mais, até à exaustão. Chega a ser mesmo desesperante, porque na iminência de alguém assumir e confessar abertamente um crime,  a análise final pressupõe que há um "alegado" confessor do crime. A última que percepcionei  levou-me a ouvir três vezes repetidas "Holokaftoma" de miss Diamanda, no volume máximo para apaziguar o meu enervamento. Relativamente ao caso Maddie, uma qualquer jornalista mencionou: "O alegado sangue encontrado no carro dos pais pode ser da menina". Porra, será que no momento em que foi comunicado tal facto, não se sabia já tratar-se de sangue?! E já agora, porque não:" O alegado sangue, alegadamente encontrado no alegado carro dos alegados pais pode alegadamente ser da alegada menina." Podia logo causar alguns AVC's na portuguesada audiência lá em casa e assim, poupar mais uns euritos ao estado português em géneros alimentícios e encher um pouquinho mais os cofres do estado, que tal?! fica a ideia ....

 

                                                                                                             Brama

sinto-me:

publicado por Brama às 04:57
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

E lá vim eu ...

 

                                                                                                                 (Imagem retirada da Internet)

 

E pronto ... cá estou eu de regresso a comprovar mais uma vez as minhas previsões ... a coisa mantém-se mais ou menos tristonha como tem sido a nota dominante ao longo das décadas de sua existência. É verdade que nem tudo foi mau ... há que apontar alguns aspectos positivos, a cidade é limpa, harmoniosa, estimada e nestes pontos poderá ser, porventura, um dos melhores exemplos a nível nacional. Também me surpreendeu positivamente o facto de diversas praças da cidade estarem  à noite cheias de gentes e esplanadas, o que não era de todo comum, à excepção da praça do Giraldo, o centro da cidade, desde sempre mais movimentado. É verdade que me dediquei a fotografar alguns pormenores arquitectónicos da cidade, a que dei especial atenção como se de turista me tratasse, pormenores que por norma os autóctones normalmente ignoram. Mas por muito esforço que faça em atender aos aspectos mais positivos, não consigo disfarçar os que mais me incomodam. A cidade tem uma carga negativa evidente que passa facilmente, quem quiser conquistar ou aperfeiçoar um certo estado psicologicamente depressivo, deverá passar uns tempos em Évora, terá o tratamento completo, bastando para isso sentar-se uma meia horita num banco de jardim dos muitos que agora marcam presença pela cidade. Sugiro que o faça no centro da cidade, a praça do Giraldo e contemple os diversos exemplares zoológicos que por ali circulam. Os "betos" e "pseudo-betos", espécie que parece nunca mais chegar a vias de extinção marcam a sua presença incondicional e sistemática; é fácil identificá-los pois, para além do ar de pintas, caracterizam-se pelo extremo mau gosto na indumentária que envergam, entre outras coisas, deverá observar imediamente o típico sapatinho vela e a calça de ganga a meia canela, para além da camisinha quadrejada e o pulloverzinho às costas, do cabelo nem vale a pena falar, é por demais mau. Depois há que considerar que o grosso da população integra já os grupos etários dos idosos, movem-se com alguma lentidão, transportando consigo queixas e maleitas várias, por norma, dão alguns passos e encostam-se debaixo dos arcos em conversação ou simplesmente a ver passar o tempo. Portanto, os idosos e os betos são talvez os grupos mais evidentes e parece que tendem a aumentar, um pela idade naturalmente, o outro pela extrema necessidade de copiar um modelo de profundo e generalizado mau gosto em tudo o que representa. A população feminina de qualquer idade  é por norma de gritos, mas gritos de tristeza, não de alegria. Também é verdade que existem algumas, mais jovens geralmente, que mostram já um certo cuidado com a imagem, embora a maioria queira à viva força enfiar os mal fadados corpinhos de batráquios em roupas estreitas e apertadas, para mostrar que seguem a moda. Pecam ainda por um visível e provinciano mau gosto na combinação das diversas peças e acessórios, mas pronto, se já se esforçam não é totalmente de desconsiderar. Nos grupos das senhoras de meia idade impera a desgraça, já que é comum que senhoras na casa dos 40 ou dos 50 aparentem dez anos mais. Pessoal alternativo é muito pouco, contam-se pelos dedos e há uma clara incidência dos seguidores da tendência mas hippie pseudo intelectual, que permitindo-nos respirar um pouco de alívio pelo menos, pela diferença na malha humana observada, muitas vezes também nos obriga a conter a respiração pelo aspecto aparentemente ou por vezes, realmente pouco higiénico. Não poderemos esquecer as tias, super chiques ou que querem ser, dando ares da mais pura falta de naturalidade na colocação da voz, nos movimentos, nas conversas ...

Dá para perceber agora porque é fácil ficar num estado algo deprimido?! Claro que me referi só à população e a uma ínfima parte do que desta se poderia dizer, atendi apenas ao que passa visualmente. Muito mais se poderia dizer sobre outras matérias, e que não seriam claro está, apenas assunto da cidade de Évora evidentemente, generalizando-se à maioria dos aglomerados urbando nacionais ... ficará para outras missivas.

 

                                                                                                                Brama

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publicado por Brama às 14:39
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

E lá vou eu ...

                                                                                                                          (Imagem retirada da Internet)

 

E pronto lá terá de ser ... amanhã lá terei de ir passar uns diazinhos à capital alentejana, tão bonita na aparência quanto aborrecida na permanência ... sim, é verdade que é uma cidade bonita, cheia de história e pontilhada de monumentos interessantes ... mas quem viveu lá anos e anos sabe como é também atrofiante e ... para quem aspira a sensações mais elevadas e diversificadas, estar lá mais que a conta, é sinónimo de morrer lenta e estupidamente. Bem, seja como for, lá irei eu, pois então, visitar familiares e amigos, respirar o aroma das seculares lajes, pisar a irregular calçada das travessas estreitinhas e tentar a sorte de atravessar a praça do Giraldo sem ser brindado por uma certeira cagadela de um dos muitos pombos que já há algum tempo tomaram posse do centro da cidade, fontes e esplanadas. Vamos lá ver se desde os últimos trinta anos, algo de novo mudou e me surpreenderá, se os 80% de transeuntes da capital alentejana, com idades superiores a 65 anos de idade, já  desencostaram as proeminentes barrigas dos muros das cidades e começaram a comer menos enchidos e se a maioria das roliças e pequenas madames, carregadas de malas e sacos de compras, tecidos adiposos e rigorosos buços, deram lugar a esguios e bem vestidos manequins, para dar finalmente sentido à intenção afirmada, já há algum tempo em voga,  "as mulheres portuguesas estão cada vez mais bonitas". E para que não me chamem de pessimista, fico com esperança de ver amanhã, uma capital alentejana no caminho do progresso económico e com uma efectiva abertura de mentalidades. Até amanhã cidade adorada ...

 

                                                                                                                                           Brama

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publicado por Brama às 02:59
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Quem ou o que é Deus?!

 

 (Imagens retiradas da Internet)

Após o polémico e incompreensível desaparecimento da minha prima, a sua irmã assaltada por uma dor imensa que lhe oprimia o coração e por uma angústia revoltada pela natureza da inconcebível tragédia, estava em casa manuseando dois ímanes. Observando a inquietação de seu filho, mergulhado numa profunda tristeza pela morte da tia e imbuída, como é de qualquer progenitora, da instintiva e prioritária necessidade de apaziguar a inocente cria, chamou-o para perto de si. A criança  aproximou-se lavada em lágrimas, não conseguindo entender se aquilo era mesmo o fim, se nunca mais iria ver a sua tia, se a deixaria de a ter consigo para sempre. A mãe, olhando-o com a ternura própria das mães e refreando um pouco a sua dor, disse-lhe, aproximando dois ímanes:   

_ Olha D., estás a ver isto? Isto é que é Deus.

D. olhou-a surpreendido com a afirmação, com os seus oito anos de brilho ingénuo e curioso, perguntando-lhe, imediatamente ávido por saber mais:

_ Mas …mãe, não ‘tou a perceber. Isso é Deus?! Que queres dizer com isso?

Descansada pela previsível pergunta, explicou-lhe então:

_ Estás a ver a atracção que se gera pela aproximação dos ímanes? … essa atracção é Energia …embora não se veja, em tudo há Energia… na água, nas plantas, nos animais, entre os humanos … existem princípios de atracção e repulsão dos corpos na Terra, entre a Terra e os outros planetas, entre os planetas e as estrelas, em todo o Universo … essa Energia é, no fundo o que permite a existência de vida … tudo é Energia e nada desaparece, tudo se mantém no sistema, apenas muda ou se transforma noutra coisa qualquer. Sendo assim, a tia não morreu, ela só se transformou noutras coisas, a sua Energia dispersou-se no ar, na terra, nas plantas, nos animais, ela continua a existir, mas com outra forma … é essa Energia que é Deus, uma força invisível que atrai ou repele os diferentes corpos … Percebeste agora filho?

Esta foi a melhor forma que a minha prima encontrou naquele momento de grande desorientação, de explicar ao filho o que era Deus, acalmá-lo um pouco em relação à morte da tia … e quanto a mim, foi sem qualquer dúvida talvez a melhor explicação que já ouvi em relação a essa entidade designada de Deus, ou pelo menos a mais concreta e plausível.

Desde pequenos somos ensinados a seguir e respeitar Deus, a não fazer certas coisas pecaminosas porque Deus vê, ouve ou sente e depois castiga-nos e condena-nos, porque Ele é omnipresente, omnipotente e omnisciente e, ouvimos logo estes palavrões em pequenos, desconhecendo o seu significado mas, ficamos logo a julgar que são capacidades únicas e coisas assustadoras que convém respeitar rigidamente. No fundo, passam-nos a ideia de Deus quase como uma figura próxima da humana, mas de qualidades e capacidades únicas que não estão acessíveis aos meros e mortais humanos. Até me lembro que quando era miúdo confundia Deus com Jesus Cristo e nunca ninguém me explicou como é que o Homem tinha evoluído a partir dos símios mas o primeiro homem e a primeira mulher eram perfeitíssimos, à imagem do Homem actual.

Também usamos correntemente expressões ao longo da vida alusivas à entidade Deus, tais como: “Graças a Deus”, para agradecer por exemplo um emprego que se obteve com maior probabilidade por favorecimento ou sorte e em menor probabilidade, por mérito pessoal e que, num ataque de presunção ou complexo narcisista depreendemos que Deus já o tinha escolhido para nós em detrimento de outros humanos inferiores; ou, “Por Amor de Deus”, para condenar ou reprovar uma lamentável atitude, postura ou opinião alheia, que seria descabida, se aquele indivíduo se norteasse pelos seguimentos divinos. Estas expressões são de igual forma pronunciadas por acérrimos religiosos, mono ou politeístas, ateus ou agnósticos, o que depreende uma utilização baseada meramente na imitação e na repetição.

Eu continuarei a pensar que Deus não é nenhuma entidade exterior a nós e/ou que está acima de nós mortais, unanimemente entendida como perfeita, rígida que anda por aí anotando no caderninho do mundo, quem fez mal, quem fez bem, quantos pecados tem este e aquele, tudo contabilizado para o dia do juízo final. Vou continuar a entender que Deus habita em cada um de nós, que é uma extrema força intrínseca ao nosso ser e que consegue mais do que nós supomos ou algum dia imaginámos … ou seja, cada um de nós, seres viventes tem um Deus dentro…se quiserem … e porque não, até poderá ser a tal Energia que a minha prima tentou esclarecer ao filho.

 

                                                                                                                                                                                          Brama     

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música: Enya - Várias

publicado por Brama às 01:20
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Quem disse que somos livres?!

(foto retirada da internet)

 

PRISIONEIROS SOMOS TODOS. Liberdade?! igual a felicidade ... meras utopias ... conceitos que se apregoam para entreter o povo incauto, insensato que ainda crê deles ser detentor. E os que não crêem? ...esses refilam, escarnecem, cospem ...mas ninguém os ouve ... até que se calam e sucumbem ao cansaço ... exaustos ... acomodados ou não ... mas irremediavelmente prisioneiros do silêncio ... o silêncio inglório de ser esta a ordem natural e assim continuar a ser sempre ... ordem natural ... e há os outros, os que querem dar uma imagem positiva de si prórios e que, sem há muito acreditar, esforçam-se e insistem em levar os demais a crer que são livres ou irão ser um dia ... esses são os prisioneiros da opinião dos outros, da boa imagem que nos outros querem depositar de si próprios, prisioneiros da teia de ilusão que em seu redor meticulosamente teceram.

Sim, PRISIONEIROS SOMOS TODOS. Prisioneiros dos afectos, das emoções, da amizade e do amor, dos anseios, dos medos, das inseguranças, das angústias, da família, das convenções e ritos sociais, sim...das tais práticas imemorialmente estabelecidas, que de cedo nos impuseram como modelos de conduta e correcção únicos e indiscutÍveis ... que seguimos como bobos irracionais ... aparafusados peça por peça numa linha de montagem única, num acto contínuo ao longo de gerações...sobremaneira irritante...

Prisioneiros da aceitação, da integração, do sucesso, das tendências, de religiões, da ordem política, da justiça e da injustiça ... do passado, do presente e do futuro...prisioneiros da vida ... dos mil fantasmas que à noite nos assaltam, nos deixam vulneráveis, febris ... prisioneiros do corpo que habitamos mas não escolhemos, da eterna solidão de nós mesmos ... PRISIONEIROS DA VIDA ...

Sim ... PRISIONEIROS, PRISIONEIROS SOMOS TODOS !

                                                                                                                                                    Brama

                                                                                                          

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publicado por Brama às 02:08
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