Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Caos Avaliativo permanece!

Não é fácil, não é mesmo. Por muito que tente manter uma certa serenidade e descontracção, ainda que relativa, tudo o que possa ser mau e desagradável vem ter connosco nesta profissão. Esta semana já somei quatro reuniões, uma de encarregados de educação, outra dos cursos EFA, outra de Dt's e outra ainda de departamento. Se for ousado e somar todas as horas em que estarei com uma turma numa visita de estudo na sexta-feira, julgo que a juntar ao horário habitual, já terei excedido as 35 horas semanais. Note-se que, neste panorama bem preenchido, horas dedicadas ao trabalho individual para as turmas serão de zero. É a triste realidade do professor actual. Para a próxima semana serão mais umas quatro reuniões, pelo menos até ao momento. O dia começou em grande, após um bloco de 90 minutos de um esforço titânico para cumprir programa disciplinar, contra o normal desinteresse dos alunos, eis que fico a saber que duas alunas de uma das minhas direcções de turma se envolveram com outras duas de outras turmas, numa acalorada luta corporal. Adivinhem quem será com toda a certeza instrutor do procedimento disciplinar??? Adorei começar bem o dia.

De tarde tenho uma reunião de Dt's em que uma entendida personalidade da Direcção Regional se dignou a prestar esclarecimentos sobre a nova lei dos alunos com Necessidades Educativas Especiais. Mais secante dificilmente poderia ser e do pouco que consegui ouvir, dado o baixo e monocórdico tom de voz da jovem, impossível de ouvir na parte traseira da sala e óptimo para embalar (não consegui sequer imaginar esta senhora a dar uma aula de 90 minutos a uma turma do básico), juro que fiquei com mais dúvidas do que aquelas que já tinha. Tenho absoluta certeza de que, tirando o facto de todos termos ficado mais esclarecidos de que ao director de turma caberá ainda mais trabalho, papéis e relatórios, o conteúdo em si do que foi ali dito, foi quase imperceptível. As cabeças iluminadas que estão lá em cima não têm mesmo noção da realidade de um professor no seu dia-a-dia escolar. É impressionante como se pode ser tão infinitamente estúpido ao ponto de não se perceber que toda esta complexidade legislativa e burocrática só pode levar a uma caótica imersão em papelada estéril.

Passo para a nossa reunião de departamento (eu e mais colegas tivemos forçosamente de interromper a senhora, pois esta não se calava mais e vimos jeito daquele massacre se perpetuar no tempo) e entre diversas informações, parece que questões relativas à avaliação permanecem em segredo. O mesmo será dizer que, o nosso Ministério prefere continuar a "brincadeira" e trata secretamente uma questão fundamental da nossa vida profissional. Talvez esse secretismo seja uma manobra política e assim apazigue um pouco a turbulência e as reclamações dos docentes. Uma coisa é certa, independentemente de tudo, fica claro que, caso os professores contratados não sejam avaliados, estes não poderão concorrer no próximo ano lectivo. Já viram golpe mais baixo do Ministério que nos tutela! Os professores contratados são então os reféns utilizados pelo Ministério, as cobaias manuseadas por forma a impingir uma avaliação forçada por parte das escolas que, com toda a boa fé, não pretenderão de todo prejudicar os colegas contratados. É portanto o Reino do Absolutismo, em que Maria de Lurdes e respectivos concubinas mais toda a comitiva umbilicalmente ligada acima e abaixo na rede das hieraquias, vestem a pele de Luís XIV e mostram quem manda afinal.

Realmente sinto-me mesmo desencantado com esta profissão. Como se não bastasse tudo isto, o dia de trabalho termina (na escola, note-se!), com uma novidade que, no meio de toda a interessante panorâmica, ainda não havia dado conta. Pois é, após vários anos de "congelamento salarial", eis que me apercebo que, com toda esta reformulação de escalões, só irei mudar de escalão (se a minha avaliação assim o permitir), em 2012. Não é motivante?

Durante estes anos, os professores foram a classe profisional que perdeu mais poder de compra mas, ao que parece, essa situação manter-se-á por mais uns belos anos. Afinal, em 2012 vou estar a receber exactamente o mesmo montante. É extraordinário depreender quanto dinheiro de todos os docentes deste país, o Governo vai meter ao bolso. Não há dúvidas que, tenho todos os motivos para me sentir motivado profissionalmente. Quanto mais me apercebo da triste e injusta realidade do que é tentar viver de forma honesta neste país, mais começo a dar razão a quem sempre prevaricou e se soube aproveitar do sistema. É triste dizê-lo mas este país não tem solução à vista e isto não é uma visão pessimista ... é realista.

 

PS: Já agora, para quem quiser ler, deixo uma sugestão até interessante para o nosso Governo: porque não dotar todas as instituições de  ensino público de uma área mais ou menos aceitável de uns quantos hectares de arvoredo?! Era uma forma de encaminhar os nossos alunos para um espaço aprazível de relaxamento e inspiração, após agressão física e verbal aos docentes que ousassem adverti-los ou quiçá, retirar-lhes o telemóvel na aula. Por outro lado, toda a madeira poderia ser utilizada na produção das toneladas de papel que o nosso Ministério solicita às escolas. Os alunos submetidos a sanção disciplinar poderiam, por exemplo, dedicar-se a semear novas árvores no local das abatidas e o ciclo decorreria com equilíbrio e normalidade. Fica a sugestão!

 

 


publicado por Brama às 19:00
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

União pela Educação


publicado por Brama às 23:11
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Imagens da Escola de Agora


publicado por Brama às 22:49
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Imagens da Escola de Antes


publicado por Brama às 22:33
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Isto está cada vez melhor

Das conversações entre Ministério e Sindicatos resulta que:

 

- O Ministério da Educação comporta-se como Pilatos, "lavando as suas mãos" ... mantém a postura de intransigente não cedência mas atribui-lhe uma nova roupagem ... aparentemente dá a ideia que houve negociação ao fazer depender da vontade de cada Escola o iniciar ou não deste modelo de avaliação já neste ano lectivo. Acrescenta que é de todo desejável que, pelo menos os professores contratados e os que deverão mudar de escalão, possam já ser submetidos a avaliação neste ano lectivo, para não correrem o risco de ser penalizados.

Mas claro, as escolas que optarem por não iniciar o processo de avaliação já neste ano lectivo, contribuirão para lesar os tais colegas que, no cômputo geral e face aos restantes colegas, entretanto avaliados noutras escolas, ficarão assim, em desvantagem.

Que fórmula estranha, cede autonomia às escolas mas, aprisiona-as ao mesmo tempo.

No meio desta conjuntura explosiva, pergunta-se: Onde está o recuo? ou, que negociação vem a ser esta?

 

- Os Sindicatos, não satisfeitos com conversações dignas do Além, ameaçam com novas formas de luta, caso o Ministério não reveja a sua postura absolutamente inalterada até sexta-feira, prazo limite.

 

Daqui, partem várias questões:

 

1- Qual será o conceito do Ministério dos termos "Negociação" ou, "Diálogo"?

 

2- Como pretende o Ministério fazer alguém crer nas suas boas intenções educativas, partindo de um modelo caótico, diferentemente aplicado, envolto da maior polémica e aplicado à pressão?

 

3- Estará este Ministério claramente a "gozar" com os sindicatos e os docentes, tentando as mais bizarras peripécias para nos passar a todos um atestado de burrice total, o atestado que a todo o momento nos exibem?

 

4- Após o mau-estar instalado, será este um sinal de que vivemos de facto em Democracia?

 

5- Será que este tipo de "diálogo" espelha um país desenvolvido, progressista, solidário, tolerante, dinâmico, com um claro respeito pelas pessoas e pelas suas potencialidades e acima de tudo, demonstrativo de que é possível ouvir os outros e as suas motivações?

 

 ... e finalmente,

 

6- Viverei eu o período politicamente mais dramático da História de Portugal desde que existo ou, nunca estive suficientemente atento às questões políticas noutros momentos tão ou mais complicados?

 


publicado por Brama às 21:56
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A Loucura Avaliativa continua ...

O clima que se vive pelas escolas deste país é quase esquizofrénico ... mas pior, pior, é que já ninguém sabe exactamente o que fazer, como fazer, quando fazer ... o desnorteio está instalado e o clima de mau-estar agudiza-se de dia para dia. Neste momento, a confusão é tal que já ninguém sabe muito bem que rumo dar a todo este mega-processo. No meio disto tudo, deixo a questão: Será que alguém ainda sabe onde estão os alunos e que eles também fazem parte da instituição Escola? O tema central e exclusivo passou a ser a Avaliação dos Professores. Mas, se antes, a grande dúvida era se o processo iria iniciar-se ou não e se atendia a estes moldes, agora passou a ser: o que vai afinal acontecer no meio do caos instalado?

Cada pessoa diz o que lhe apetece, repetem-se ideias, explica-se a mesma ideia de formas distintas ... uns dizem que tudo vai começar já, outros que só começa para o ano lectivo seguinte, outros que agora serão avaliados apenas os professores contratados e os que necessitam mudar de escalão, outros que todos têm mesmo de ser avaliados, outros que fica ao critério das escolas, bem ... tirem-me deste filme e coloquem-me noutro depressa e se possível, mais colorido. Que terei eu cometido na outra vida!!!!

Certo, certo é que parece ninguém saber o que está para acontecer.

A única cedência deste Governo parece ser a de que, todo o processo fica ao critério de cada Escola e, à luz da sua autonomia de procedimento, cada Escola agirá conforme decida. Isto é uma cedência????

E tudo com a agravante de que, nomeadamente os professores contratados (os candidatos a Professor) e os professores que deverão mudar de escalão, poderão ficar prejudicados no caso de não serem avaliados ainda durante este ano lectivo. Mantenho a questão: Isto é uma cedência????

Portanto, assim sendo, cada Escola seguirá o que considerar melhor ao seu contexto escolar e profissional ... já se está mesmo a ver a polémica a alastrar-se ainda mais, tomando proporções gigantescas ... se a aplicação de critérios definidos diferenciadamente entre as Escolas poderá traduzir-se em múltiplas injustiças na correcta aferição do desempenho de docentes, então a sua aplicação com timings diferentes o que trará??? Supostamente o agravar das desigualdades! Bem, nem quero imaginar as milhentas queixas em que todo este processo desembocará.

...

Mas hoje fiquei triste, muito triste, quando uma colega se dirigiu a mim e me recriminou pelo que escrevi no meu post anterior, quando lamentei a postura da maioria dos docentes da minha Escola em não ter participado na manifestação. Sinceramente nem entendi muito bem alguns dos argumentos que apresentou para justificar as suas abertas críticas, até porque me apanhou desprevenido e soltou uma enxurrada de condenações. Percebi apenas que me condenou pelo facto de, segundo ela, ter agido incorrectamente ao lamentar a postura de alguns dos colegas em não se terem manifestado. Fiquei triste pela forma como se dirigiu, inclusivamente na presença de alunos meus, agravado do facto de ser uma colega com a qual simpatizo e tenho partilhado de opiniões muito similares em grande parte das questões educativas. Ainda mais estranho a sua postura, quando a imagino a tomar um procedimento idêntico ao meu, na situação inversa e que, não ficaria por um mero texto, seria verbalizado pujantemente. Já presenciei situações em que a sua voz se fez ouvir contra o sistema com ideias das quais partilho totalmente mas que, sem medição de consequências, também "feriram" a susceptibilidade de alguns. Continuo sem entender verdadeiramente onde quis chegar, mas não gostei efectivamente que me abordasse na presença de alunos meus e fiz questão de lhe dizer exactamente isso. Cá está, já não é a primeira vez que sinto ser condenado pela forma como me exprimo, talvez com um certo excesso de carga emocional e muita ironia à mistura. É a forma como me expresso quando escrevo e na realidade, quem me conhece verdadeiramente sabe que não sou assim tão azedo. Eu também compreendo que, por vezes, as situações particulares de cada um condicionam determinadas atitudes mas, se não mostrarmos o nosso descontentamento agora mais que nunca, nesta fase tão crítica e tão destrutiva da nossa classe, quando o iremos mostrar? É este mais que nunca O MOMENTO e sinceramente, a avaliar pelas percentagens, esperei que mais pessoas estivessem lá.


publicado por Brama às 15:02
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Depois do Luto ... luto!

Comecei como definido, o meu Luto pela Educação que, pessoalmente, já dura há bem mais tempo. Hoje chego à Escola vestido rigorosamente de negro e assim continuarei toda a semana pois, roupa preta é algo que não me falta. Dá para mim e mais 1/3 do professorado, se eles quiserem. Fico espantado quando entro na Sala de Professores às 08h05 da manhã, como todas as manhãs e verifico que, contrariamente às minhas expectativas, a maioria não estava vestido da cor definida ( como sempre, dominando o aborrecido azul de todos nós). Verifico também que só os participantes na manifestação se trajavam a rigor. Esbocei um desagrado instantâneo que não consegui conter e exigi que, no dia seguinte todos viessem como determinado. Aproveitei para comunicar e lamentar que a fraca adesão do professorado desta Escola à manifestação, deixou-me pessoalmente desiludido. Pouco mais de 20 docentes num universo de mais de 100, não corresponde nem de perto às percentagens observadas na mega manif. Muitos se desfizeram em mil desculpas, a família, os testes, as avaliações, o cão e o gato ... o c****** ... já nem os ouvi enquanto me retirava para a minha sala com a pasta e o livro de ponto. Uma tristeza total.

Convenhamos que neste momento crítico que se vive no ensino, apenas causas maiores, como estar hospitalizado ou ter de cuidar de alguém com uma qualquer incapacidade, justificaria a não presença nesta manifestação.

Amanhã estão todos avisados que não deverão apresentar-se nesta instituição sem roupa, pelo menos que seja escura. Uma colega de Ed. Física apressou-se em dizer que não tinha ... observei-a atentamente e aquele bordadinho na gola azul bebé quadrejada e casaquinho de malha rosa desmaiado confirmou que não estava a dizer inverdades como o faz gratuitamente a nossa Miluzeca. Ofereci-me para lhe emprestar um casaco preto mas  ... deu para perceber que ficou assustada ... senti a pálpebra em leves tremeliques e optei por desistir ... não tem nada a ver, claro.

 Esta semana vou estar de negro mas espero que novas, drásticas e corrosivas medidas se imponham com a máxima brevidade. Depois de ter presenciado ontem o cinismo do nosso Primeiro, minimizando a demonstração de total indignação da classe face à política educativa ... conclui que, da minha parte quero levar isto às últimas instâncias ... se tiver o apoio de todos os docentes, evidentemente. Sinto que um demónio me envenena as entranhas de ódio, de um ódio que já deixei de controlar ... agora só já me acalmo com algo absolutamente nocivo ... algo que faça doer e crie mossa. Vivo um tempo em que as boas regras sociais e de conduta não se impõem à mais natural violência humana ... anseio por algo feio, muito feio ...

Entretanto estas movidas permitiram-me perceber um pouco de como se vive toda esta polémica por algumas escolas dispersas por este rectângulo deseducativo. Por exemplo, numa escola de Olhão, um departamento opôs-se em bloco e de modo irascível a este modelo de avaliação ... simplesmente não o vão pôr em andamento. Tomaram esta posição conjuntamente e não cedem ... seguem os bons exemplos claro (o Governo também não cede, porque terão os docentes de ceder?!). Numa outra escola em São Brás de Alportel ... querendo mostrar muita competência, tinham tudo mais que preparado para avançar, com aulas marcadas para assistir e tudo mais ... pois, ao que parece tudo ficou suspenso pois um sindicato prontificou-se a comparecer na escola explicando que, caso avançassem, poderiam ter problemas pois estariam a ir contra a ordem de tribunal em suspender o processo avaliativo ( exactamente como está a fazer o nosso Governo, ilegalidade atrás de ilegalidade para conseguir os fins). Numa outra escola, Campo Maior, instalou-se o conflito entre os titulares a os apenas professores ... os primeiros querem à viva força planificações de todas ... sim, todas as aulas e querem assistir às aulas que bem lhes apetecer ... tsss. tsss. ele há mesmo gente triste que não pode ter um bocadinho de poder ... que tristeza ainda mais tratando-se de educadores.

Portanto, apenas estes três singelos exemplos espelham uma gota de água no imenso oceano da discórdia e da confusão ...

É este o ambiente de trabalho que a nossa Ministra espera nas escolas e para bem dos alunos e agradabilidade dos encarregados de educação? ... se repararam, nem me pronunciei relativamente aos professores, eles não constam desta agenda educativa.

 

Ainda ontem, Marcelo Rebelo de Sousa, classificando os vários professores, avaliou com a menção "Sofrível" a nossa Ministra. Apenas lhe apontou como aspecto positivo a capacidade de manter a sua política sem hesitações (leia-se: teimosia disparatada) ... mas não deixou de lamentar o facto de, tratando-se de uma Socióloga, manifestar tão pouca sensibilidade. E não se referia a sensibilidade em termos humanos ... essa também já nem faz parte dos pressupostos. Referiu-se mesmo a sensibilidade política, de que esta Ministra carece irremediavelmente.

 

 


publicado por Brama às 21:19
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Imagens de um Dia Heróico

4 Minutos de Imagens de um Dia em que participei activamente, me orgulhou pela perseverança  e união da  nossa Classe e que ficará para a História deste País.

 

http://static.publico.clix.pt/docs/educacao/manifprofessores/index.html

 

Esta força não se pode apagar ...

Bem hajam todos os que firmes e tenazes lá estiveram


publicado por Brama às 20:14
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Amanhã é o Grande DDD

O DDD (leia-se, da Dia do Docente), será sem dúvida a maior manifestação de que há memória. Esperam-se entre 60000 a 70000 docentes de todo o país e 600 autocarros ( acho fantástico este pormenor dos 600 autocarros!), rumo à grande Olissipo, numa demonstração de força e revolta. Lissabon e River Tagus abrir-se-ão sob um dia luminoso para receber a heróica professorada (peço desculpa Sra. Sinistra, digo, Ministra, mas concordará que amanhã não seremos uns singelos professorzecos?!), que farão por colocar esta manifestação nos anais da História de Portugal. Desde há 500 anos, com os Descobrimentos Marítimos, que não me lembro de nada tão marcante como acto de relevo na História Nacional ...

Amanhã deixaremos a nossa marca, uma marca que as intimidações de hoje, com a já obsoleta tentativa da PSP causar a desconfiança e o temor junto da classe docente como clara forma de nos dissuadir e desmobilizar, não surtirão o efeito desejado por parte do Governo. Faz parte dos Direitos de qualquer cidadão à luz de uma Sociedade Democrática a Liberdade de Manifestação ... e nós vamos Manifestar-nos Sra. Ministra ... Ai se vamos !!!

 

Brasão de Lisboa

 

Sra. Ministra,

 

QUEREMOS MAIS RESPEITO

QUEREMOS MAIS RESPEITO

QUEREMOS MAIS RESPEITO

QUEREMOS MAIS RESPEITO

QUEREMOS MAIS RESPEITO!!!

 

AVALIAÇÃO P'RA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

AVALIAÇÃO P'RA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

AVALIAÇÃO P'RA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

AVALIAÇÃO P'RA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

AVALIAÇÃO P'RA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

 

sinto-me:

publicado por Brama às 20:16
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Conheço pelo menos Dois Aliens

José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues são seguramente a prova de que os Aliens afinal sempre existem e pelos visto povoam a Terra há já alguns anitos. Eles têm uma aparência humana mas caracterizam-se por viverem numa realidade só deles, criada nas suas alienígenas cabecitas e à imagem que voluntariamente decidiram montar. Pelo menos, é manifestamente elevado o desconhecimento da realidade dos terráqueos portugas. Estes seres, camuflados de humanos, trabalham normalmente em pares ou grupos altamente preparados para sustentar um discurso idêntico no sentido de levar os mais fragilizados a cair nos seus dissimulados e insanos discursos optimistas. Têm uma grande sede de poder e quando no topo, mostram um letal cinismo mais ou menos disfarçado na candura das vozes. Agem de forma silenciosamente preversa, minando a pouco e pouco tudo em redor mas, munidos de um orgulho avassalador (que neste caso, não os impediu de descer à Terra), pintam um quadro maravilhoso sobre a contaminação que engendraram.

 

 

A Grande Entrevista de Hoje

Relativamente ao segundo ser alienígena mencionado (Lurdecas, para os mais chegados), resumindo tudo, diria que adjectivaria a senhora de Impressionante. Judite de Sousa, desconhecendo que afinal contactou com um ser do Além, tentou, voltou a tentar insistentemente, de várias formas, questionar e questionar repetidamente mas sem efeito ... o discurso é diferente porque de outra dimensão. Será que foi mesmo uma Entrevista??? É a questão que eu próprio coloco. Como se chamará no planeta de onde provém Miss Lulu, o pretensioso diálogo entre a Jornalista e a Ministra, onde se faz perguntas e se espera respostas? 

Miss Lurdecas continua sustentando um discurso tranquilo, intransigente, cheio de "inverdades", repetitivo ... simultaneamente reforça publicamente a ideia de que os professores são mesmo uns palerminhas iletrados. Já estão nas ruas a manifestar-se sem sequer ter interpretado convenientemente o sistema de avaliação que os espera ... como é possível ser-se tão incompetente e infinitamente burro?

Miss Lurdecas não conseguiu responder cabalmente a muitas, senão todas, as questões ... as ideias são vagas, dispersam-se num quadro ricamente embelezado de cores, texturas e formas. Mas de que se queixam afinal os professores? Só poderão estar a padecer de uma loucura colectiva!

Miss Lurdecas quando não tem uma resposta viável, minimamente articulada com o discurso já "cozinhado" em casa com o Sr. Primeiro-Ministro (alien nº 1), refugia-se em perguntas que coloca à entrevistadora. Fiquei sem perceber quem colocou mais questões, se a  Judite de Sousa se o alien Lulu. Totalmente esquisito ...

Miss Lurdecas dá com uma mão para seguidamente retirar com as duas: os professores estão a fazer um trabalho de mérito nas escolas mas ... são uns infelizes contestatários de algo que ainda nem entenderam porque se antecipam como as crianças pequenas quando exigem respostas rápidas a questões freneticamente colocadas.

Miss Lurdecas tem a ousadia de minimizar as demonstrações de indignação dos docentes, a decorrer pelo país que, culminarão no dia 8 de Março com a maior manifestação de que há memória, reduzindo-a a "um punhado" de professores pouco esclarecidos e manipulados pelas organizações sindicais.

Miss Lurdecas só pode estar bem salvaguardada pela comitiva de outros alienígenas governadores para  continuar a sustentar um discurso hipócrita, mesmo a 48 horas de uma colossal manifestação (só pode ser manobra política ou mais uma vez, a dificuldade imensa de aferir correctamente a realidade).

Miss Lurdecas sustentará este discurso até quando? A mim não me demoverá ela de me manifestar e ... se nada acontecer após, deveríamos proceder a manifestações de semana a semana ou de quinze em quinze dias, em Lisboa ... se nada acontecer, este braço-de-ferro deveria manter-se.

Sra. Ministra, sou "professorzeco" mas não estúpido ao ponto de interpretar indevidamente a preversidade deste esquema de avaliação e seus reais objectivos que, digo e repito, não são melhorar as práticas.

 

PS: Fantástico ... a 48 horas da grande manifestação, já se iniciaram acções para desmobilizar e intimidar os professores. Segundo ouvi agora mesmo na TV, vai existir acção policial para fazer levantamento de todos os participantes na manifestação. Veja-se bem esta Democracia ... estamos de volta à Ditadura, mas esta insurge-se na mesma proporcionalidade do nosso medo em ceder a ela.

E agora não podemos baixar a cabeça outra vez.

Mais que nunca tenho de lá estar e gritar até me saltarem as cordas vocais.


publicado por Brama às 22:00
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Esta Avaliação é Ilegal

Hoje em reunião de departamento, estivemos a tecer durante cerca de três horas, após toda a manhã de aulas e mais hora e meia de reunião de DT's (com a agravante de ser eu o secretário da reunião de departamento ... grrrrr), n e n considerações sobre o documento formulado pelo Conselho Executivo para dar início ao processo de avaliação, assim que possível. De facto, basta observar com um pouco de atenção os items bem como o seu desdobrar em dimensões, indicadores, etc ... para perceber o quão complicado, burocrático, injusto, demente, impraticável, enlouquecedor poderá ser pôr toda aquela aberração em prática ... acrescido de todo o trabalho específico desta profissão que, já antes desencadeávamos com dificuldade de tempo, calma e ponderação (deixando cada vez mais os nossos alunos para um plano secundário). As impossibilidades disto avançar da forma como foi configurada são reais e mostram absoluto desconhecimento da realidade sentida e vivida nesta profissão.

Ontem na manifestação, o Mário Nogueira da FENPROF, deixou bem claro que toda esta engrenagem avaliativa é um processo ilegal e que vai contra a suspensão da mesma, decidida em tribunal. Mas ao que parece, as escolas insistem em avançar com algo que, ainda poderá sofrer remodelações, acelerando o próprio sucumbir profissional de todos. Não estaremos com tudo isto a ser advogados do diabo, personificado na imagem da ministra? Não estaremos a sustentar a imagem que este Governo tem de nós, de sermos realmente uns "professorzecos" com muito medo e pouca capacidade em pensar autonomamente?

De que temos medo afinal? De um processo disciplinar sobre as escolas?

Será que um processo disciplinar colectivo por imposição a esta loucura é pior que ajudarmos a acelerar o nosso próprio fim profissional num tempo mais ou menos lato ou não?

Seremos mesmo uns cobardes acéfalos, imagem pouco compatível com a profissão que abraçámos?

Quando na minha reunião de hoje, comparei a a nossa atitude nas escolas como se estivessemos de modo célere a aquecer um grande caldeirão para depois nos jogarmos voluntariamente lá para dentro, todos acharam imensa piada e riram de gosto. Mas ... será que não é mesmo isso que estamos a fazer ao pactuar com algo que reprovamos mas que, por um medo infundado, seguimos baixando a cabeça?

 

Mário Nogueira disse-o de modo bem claro: "Esta avaliação é ilegal!" e em última análise poder-se-á penalizar quem decidiu avançar, contra as ordens judiciais, com todo o processo.


publicado por Brama às 23:49
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Até os Alunos estão do nosso lado !

Definitivamente estou obcecado com estas questões e não consigo de momento canalizar a minha atenção para mais nada.

Hoje, foi a vez dos docentes se manifestarem em Vila Real e Bragança. Desta, até os alunos pareceram apoiar-nos, juntando-se solidariamente à manifestação e mostrando ter uma visão mais correcta e pedagógica desta "aberração avaliativa" do que a incompetente equipa ministerial.

 

"Sra. Ministra de que mais provas precisa para perceber que é uma incompetente?"

Após dois "Prós e Amens", digo, dois "Prós e Contras" seguidos sobre Educação, absolutamente inédito quando a questão Educação sempre pareceu esquecida por parte da comunicação social, ao que consta hoje, houve  lugar a Grande Entrevista com Judite Sousa, em que a convidada foi estranhamente a Ministra da Des(Educação). Parece não cessar a fúria propagandista em favor da senhora e de limpeza da sua imagem junto da opinião pública.Recorre-se a todos os meios: primeiro tenta-se limpar a sua imagem com um segundo Prós e Contras, claramente preparado contra a classe docente; agora Grande Entrevista para do alto da sua soberba austeridade, a nossa querida Lurdecas continuar a tecer as suas barbaridades ... muito bem, é mesmo assim que este país vai em frente ... mas no mau caminho.

O texto que se segue não é meu ... retirei-o algures.

...

 

As associações de estudantes das três escolas secundárias da cidade - Emídio Garcia, Miguel Torga e Abade de Baçal - juntaram-se aos professores, em solidariedade com os protestos contra o novo sistema de avaliação.

«Os professores não podem estar dependentes das nossas notas para terem uma avaliação», considerou Cristiana Ramalhão, presidente da associação de estudantes da Miguel Torga.

Esta jovem pergunta como é que a ministra da Educação vai fazer se a nota de final de ano não coincidir com a dos exames nacionais.

«Vai avaliar os professores pela nossa nota ou pela dos exames?» - questionou. Os estudantes dizem que o problema está a reflectir-se na escola: «Não há uma aula em que não se fale disto», afirmou.

Os contestatários concentraram-se junto à Câmara de Bragança e seguiram em desfile pela cidade até ao Governo Civil.

Entre os manifestantes destacava-se um professor de Artes Visuais, Manuel Trovisco, com um acessório na cabeça e sobre os ombros, feito com grelhas metálicas. «Quero transmitir simbolicamente a mensagem de que os professores estão actualmente presos a um processo burocrático», explicou este docente com 22 anos de serviço.

Já para outro professor Joaquim Salgueiro, esta e as outras manifestações de professores que estão a ocorrer por todo o País são a prova de que estão descontentes com a política do Ministério da Educação.

«Quando a ministra diz que só os sindicatos estão contra, que os professores estão ao seu lado, ao lado das suas políticas, estas manifestações provam que são os professores que estão descontentes com a política do Ministério da Educação», disse.

A manifestação de Bragança foi convocada por mensagens de telemóvel e rapidamente juntou centenas de aderentes, com outro professor e dirigente sindical, Carlos Silvestre, a considerar que «esta união deve servir de exemplo para o futuro» numa região com pouca tradição do movimento sindical.

 


publicado por Brama às 23:26
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Manifestação de Professores em Faro

Acabei agora de chegar a casa ... claro que tinha de lá estar e na frente do pelotão. Foi algo novo para mim pois, é a primeira vez que participo em algo desta natureza já que, sempre fui um pouco avesso a este tipo de manifestação de desagrado com gritaria, assobios, ...

Fui até hoje, porque hoje, não poderia de modo algum ficar impávida e serenamente em casa. A minha necessidade de estrebuchar excedia os limites e apesar de ser a primeira vez que, formalmente me manifestei (tal como muitos colegas com quem entretanto fui conversando, expondo a insustentabilidade geral de todos), rapidamente me habituei às palavras de ordem e vociferei colericamente, qual Diamanda, até ao limite das minhas cordas vocais.

Segundo dados da Agência Lusa, foram cerca de 3000, os professores que saíram à rua e estavam ali presentes no Teatro das Figuras para expôr a sua indignação, protestando contra a incompetente política educativa deste Ministério e Governo. A marcha de indignação, encabeçada por Mário Nogueira, coordenador da FENPROF, que decorreu do referido Teatro até à DRE/Algarve foi, segundo os organizadores, a maior manifestação ocorrida na região nos últimos 20 anos e "a maior de uma classe profissional" na região. Pelo menos parámos o trânsito em algumas das principais artérias de acesso à Cidade durante algum tempo, provocando enormes filas ... já foi bom ... se os professores quiserem conseguem mesmo parar este país. Basta estarem unidos num propósito comum.

Até ao momento nestas faseadas manifestações que têm ocorrido pelo país fora, já foram à rua mais de 40 000 professores, juntando-se a estes mais uns milhares de hoje em Beja e Faro.

Grande, Grande ... será certamente a manifestação de dia 8 em Lisboa; talvez a maior de sempre. Só de Viseu, até ao momento já estão cheios 20 autocarros embora, se pense que até Sábado, poderá haver o dobro, ou seja, 40 autocarros. Se assim for ... será então algo verdadeiramente colossal. Mal posso esperar por dia 8.

 

 
 

 

Não há dúvidas. Se quisermos a União faz mesmo a Força!

 

Hoje, entre outras expressões, um dos meus motes favoritos foi:

 "Avaliação p'ra Ministra da educação"

 

Eu optaria agora por outra:

"Educação p'ra Ministra da Avaliação"


publicado por Brama às 23:17
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Em mim retorce o Ódio

Estou eu em casa vendo o Prós e Contras desta semana, sobre avaliação de professores e a instituição Escola e algumas opiniões deixam- me quase cego de ódio. Sinto um mau estar no peito há alguns dias que não me deixa respirar devidamente; pressuponho que seja o sistema nervoso ... espero que seja mesmo só isso. Há mesmo muita gente que mais valia estar em casa do que apresentar-se num programa como este (que supostamente presta um serviço público), para opinar sobre matérias que desconhece com ar de portentosa sabedoria e dessa forma, moldar indevidamente a opinião do público ouvinte. Por alguma razão ouvem-se vozes de várias facções "cantando de galo" que os preguiçosos dos professores não querem é ser avaliados quando, sempre o foram (para a divulgação desta indevida  informação, bastante tem contribuído a voz do nosso Primeiro-Ministro que não se tem poupado a esforços em denegrir a imagem da classe). Agrava-se o meu mau-estar que me deixou num estado de vigília mais que absoluta.

 Para agudizar tudo, Fátima Campos Ferreira transmitiu duas informações de última hora que, espelham bem as consequências de uma maioria absoluta e do clima de temor e ameaça instalado que, remove qualquer hipótese de opinião pessoal:

1º - O professor que no anterior Prós e Contras sobre Educação se pronunciou sobre a sua experiência profissional, tendo referido que foi coagido ou obrigado por um inspector em não dar níveis inferiores a três, veio agora corrigir a sua intervenção, desmentindo o que havia afirmado fazendo-o derivar de um estado de emoção forte durante o programa. De igual forma o inspector visado por tal comentário desmentiu a afirmação proferida ...

( será preciso qualquer comentário ?! ... creio que não!)

2º - Também a afirmação de Mário Nogueira da Fenprof sobre a obrigatoriedade do Estado pagar as horas de substituição ( apresentada no mesmo Prós e Contras), parece não ser bem assim ...

(pois claro ... já os cordelinhos forma bem movimentados para tratar do assunto e fazer valer quem afinal tem a pasta do poder e da avaliação).

 

Em definitivo este Governo leva a nota mais baixa de sempre da minha existência enquanto cidadão de um país que, mostra claros sinais de retrocesso não apenas económico, social, cultural mas pior, humano. E caminha exactamente no sentido inverso ao do resto da Europa, é um país que definitivamente me envergonha. Se a avaliação vai para a frente ou não, quando e como, não sei, parece-me que ninguém sabe ao certo. Mas uma evidência tenho ... independentemente do rumo que tudo levar e das medidas mais populares que surgirem estrategicamente perto das próximas legislativas, este Governo não terá o meu voto. Espanta-me contudo que, as recentes sondagens continuem a dar uma vitória para o PS com 38% da intenção de voto ... que não é uma maioria absoluta mas, continua a ser uma vitória que não se compreende. Não percebo nem quero perceber ... talvez se chegue à conclusão que não há alternativa governativa mas .... e já se experimentou os partidos mais pequenos? ... será que teremos eternamente de saltitar entre o PS e o PSD? ... ou será isto a clara ilação de que o povo português nutrido de um certo masoquismo, gosta mesmo é de "apanhar" na cabeça? ... será que, numa perspectiva ainda primitiva de conceber o exercício do poder, o povo interpreta o autismo, a cega firmeza, a rude imposição como sinais de uma mais competente e confiável governação? ...

Se assim é ... tenho pena, porque então não me revejo de modo algum nesta postura de conceber as relações de poder e o exercício de estratégia governativa.

Tal como referido no anterior Prós e Contras há um mérito reconhecido a este Governo: tem unido muitos professores como há muito tempo não se via. A provar isso estão por exemplo as inúmeras manifestações de docentes que se têm vindo a observar por todo o território, envolvendo milhares de professores. Amanhã será no Algarve e evidentemente irei lá estar, esperando-se um forte adesão. Sábado será em Lisboa e ... vou lá estar. Segundo informações sindicais, até ao momento estão inscritos para deslocações de autocarro, para cima de 45 000 professores o que é sensivelemente 1/3 dos docentes deste país (rondam os 150 000). Se adicionarmos os que se deslocarão sem estar inscritos (todos os que irão de outros modos e os que, residindo na área de Lisboa, seguramente muitos, não necessitarão de dar o seu nome para deslocação), pressuponho que serão muitos mais. Estes valores mostram bem o estado de desânimo e revolta dos professores que, sinto crescerem diariamente. Agora não se pode mais voltar atrás, com ou sem resultados práticos à posteriori ... esta demonstração de desagrado terá de forçosamente produzir efeitos visíveis.

 

Eu estarei lá.

 

                                                                                                                                         Brama

 


publicado por Brama às 00:03
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Sábado, 1 de Março de 2008

O clima de Mal-Estar ganha pontos

Temor, desalento, descontentamento, desencanto, tristeza, desconfiança, artificialidade, desnorte, revolta, desmotivação, irritabilidade ... são alguns dos sentimentos que parecem assaltar ultimamente o clima nas escolas e entre os professores. Eu próprio sinto estar a perder a capacidade de sorrir e torna-se cada vez mais pesaroso dirigir-me à Escola, sabendo que, tal como em todas as outras, se prepara a melhor forma de nos "cozinhar", utilizando a injusta, desumana, incompetente, insólita e economicista receita preparada por este Ministério para distinguir os "bons" dos "maus". Numa área tão vasta e complexa como a Educação, não se ponderou os milhares de casos excepcionais em cada aspecto, não se procedeu a uma avaliação do que estava mal no processo avaliativo anterior, fazendo as necessárias reformulações que, é certo que seriam necessárias, muitos o disseram, mas não desta forma. Ao invés, avançou-se com algo completamente novo, que nem será sujeito a um período experimental para aferir devidamente a eficácia na sua utilização. E assim, maltrata-se por igual toda uma classe de gente que dedicou muitos anos da sua vida a uma causa, a de ensinar, manobrando-as apenas como peças num tabuleiro equacionado em função de outros propósitos que não os educacionais.

Desde que integrei este grupo de "professorzecos", para utilizar os termos de quem nos orienta e não parece ter "mãos a medir" na forma de nos atacar, tenho assistido à degradação da profissão quase anualmente. Reformas sucessivas sem conhecimento do terreno, sem ponderação do trabalho previamente feito por outras equipas, sem consultar os principais agentes no processo que, ainda pressuponho serem os professores, sem melhoria real do que parece ser o pilar desta profissão, o acto de ensinar e aprender mas, com uma linha de conduta comum: penalizar o mais possível o trabalho dos professores, retirando-lhes direitos que já haviam conquistado anteriormente, retirando-lhes valor e autoridade no seu exercício profissional e favorecendo cada vez mais o desleixo, desresponsabilização e incumprimento da parte dos discentes.

Criaram-se novas disciplinas e áreas curriculares que, até ao momento ainda se contestam porque continuam a não ser bem recebidas por alunos, pais e professores, uma vez que ocupam tempo, não promovem efectivas aprendizagens, as escolas continuam sem estar preparadas para lhes dar o melhor cumprimento, retiram crédito de horas a outras disciplinas bem mais necessárias, aquelas em que nos formámos; retirou-se horas a várias disciplinas, primeiro sinal de clivagem entre os professores nos vários grupos e departamentos disciplinares, tornando as reuniões de professores em autênticos mercados marroquinos, cada um defendo os melhores argumentos para sustentar o facto da sua disciplina merecer ter mais horas que as restantes; sobrecarregou-se assustadoramente o imenso mar burocrático, inventado "milagrosas metodologias" para transitar alunos mas que, na prática, não contribuiram para a melhoria efectiva das aprendizagens e atrapalharam ainda mais o trabalho dos professores (veja-se a exemplo os fabulosos planos de acompanhamento/recuperação, os PCT's); inventou-se alternativas de escolarização, de que são exemplo os cursos CEF, para escolarizar de alguma forma quem não quer ser escolarizado de forma nenhuma, alimentado ainda mais as estatísticas de sucesso escolar fictício; criaram-se as maravilhosas aulas de acompanhamento para entreter os alunos em momentos de ausência do respectivo professor da disciplina, aulas essas que ainda carecem de aceitação e justificação por parte de docentes e discentes; "congelaram-se" as carreiras dos professores e naturalmente a progressão entre escalões, minorando a capacidade aquisitiva destes e claro está, o seu nível de vida, além do prejuízo profissional propriamente dito; multiplicaram-se as reuniões para tudo e mais alguma coisa chegando ao ponto da sobreposição de duas e três reuniões por impossibilidade horária em ser de outra forma;  arranjou-se forma de transformar os professores em psicólogos, animadores culturais, burocratas, funcionários administrativos, até videntes (veja-se a "desocultação" de competências prevista no processo RVCC), tudo menos professores mesmo. Para culminar um longo processo de desmotivação gradual dos professores, um processo avaliativo sem ponta por onde se lhe pegue.

Apesar de não exercer assim há tanto tempo, só tenho presenciado mudanças penalizadoras das reais práticas educativas. Já observo com um certo saudosismo os anos em que ainda leccionava a minha disciplina com tempo e tranquilidade e em que, apesar de tudo havia tempo para falar na indisciplina dos alunos com a sensação de que algo estava ao nosso alcance fazer e tempo para ponderar.

 

                                                                                                                                              Brama


publicado por Brama às 10:21
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Sra. Ministra, somos Humanos !

 

Como me parece que se está a tornar insustentável toda esta parafernália esquizofrénica de demência ministerial, que já não se aguenta, temos mesmo de actuar em massa e em grande escala. Não vale a pena perder mais tempo em deambulações explicativas no que respeita a argumentos e porquês. Embora a Sra. Ministra (Des)educativa não o assuma frontalmente, julgo não restarem dúvidas sobre as verdadeiras razões que presidem a todas estas manobras com o mega-processo de avaliação de professores. SÃO OBJECTIVOS ECONOMICISTAS SRA. MINISTRA !!! TENHA A CORAGEM DE O ASSUMIR AO PAÍS. ENGANOU-SE NO MINISTÉRIO A QUE PRESIDE. DEVERIA ASSEGURAR A PASTA DA ECONOMIA OU DAS FINANÇAS E ESQUECER A EDUCAÇÃO. DESTE ASSUNTO NÃO ENTENDE MESMO NADA, ENTENDEU? NADA!!!

Desta não pode passar. Para culminar toda a minha revolta, embora acredite que este Ministério não vai retroceder ( e bendito o dia eleitoral em que decidi não colocar a cruzinha neste partido por temer isto mesmo, uma maioria que desembocou nesta generalizada desgovernação) e como não há como contornar a minha exasperação senão manifestar-me, compete-me lá estar no dia 8 de Março. Desta, nada me demoverá. 

PS: Para os interessados, está a decorrer um inquérito na SIC que questiona se o Governo está a prejudicar os professores. Para responder SIM, deverão telefonar para o número 760 300 381. Eu já dei o meu contributo


publicado por Brama às 23:50
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Não aceito esta Imposição

Uma das mil imposições do nosso atencioso Ministério Deseducacional é perfeitamente intolerável. Não é só esta, claro que não ... mas esta tem conseguido fazer-me fervilhar e vociferar odiosamente. Pura e simplesmente, é desumano e não é possível aceitar, por muitas voltas que se possa dar à questão, que um professor seja penalizado na sua avaliação por um item que, e sublinho, está longe de depender da sua acção. O abandono escolar depende numa primeira instância, do contexto familiar e social em que o jovem ou a jovem se insere e que não diz respeito ao professor. Assim sendo, serão os responsáveis pela educação daquele indivíduo, os verdadeiros e únicos elementos que intervêm neste processo. Aliás, qualquer pai ou mãe com um minimo de bom senso deveria inclusivamente sentir-se ofendido no exercício do seu papel educativo porque esta incompetente (e não avaliada) ideia do nosso Ministério, também os ofende porque conclui em si mesma que, os pais não são válidos nem estão capacitados a ser encarregados de educação. Numa última instância, o abandono escolar tem a sua génese numa Sociedade (a portuguesa) que se encontra em si mesma, enferma ... incapaz de incluir jovens em risco porque se sentem porventura desamparados num tecido social que, ele sim, os abandonou à sua sorte. Ao atribuir a responsabilidade deste abandono escolar aos professores, o Governo está a assumir categoricamente que não é capaz de captar, envolver e motivar os jovens para a Educação e para a necessidade de Aprender, a urgência de se tornarem amanhã seres mais interessantes. O Estado assume com este item de avaliação dos professores, a sua incapacidade no exercício das suas funções mas, cobardemente, "lava as suas mãos" como Pilatos e canaliza toda a responsabilidade do abandono escolar, para os docentes, o elo mais fraco deste processo. Não me venham com falsos moralismos ou com justificações de uma outra dimensão, nada sustenta este item de avaliação, nada.

Eu enquanto director de turma e professor tento cumprir o melhor possível as minhas funções, pese embora os impedimentos e a desautorização profissional perpetrada pelo nosso querido Ministério mas, jamais me sentirei responsável pelo abandono escolar de um qualquer aluno meu. E também não farei qualquer esforço complementar em trazer um aluno à Escola. Essa tarefa compete aos pais e encarregados de educação. Se eu fosse encarregado de educação de um jovem, sentir-me-ia muito envergonhado se tivesse de ser um professor a ir a minha casa buscar um filho meu para a Escola, sentir-me-ia ao nível do chão mesmo.

 

Quanto às aulas assistidas, não me venham com hipocrisias e explicações fenomenais que sustentem esta tese. Tenho ouvido várias vozes corajosas, puxarem os galões profissionais de que não têm qualquer receio nem nada a esconder. Só isto mostra como algumas, muitas pessoas, profissionais do ensino, são mesquinhos, nada corporativos e têm uma visão curta. Não se trata de temer ou deixar de temer ... trata-se de ser uma medida incoerente, descabida, vergonhosa, minimizadora das nossas capacidades profissionais e assente apenas numa lógica de uma sangria e doentio controlo levado ao extremo. Será esta uma medida fundamental como comprovação do exercício de boas práticas profissionais? Será urgente "invadir" o único espaço que ainda era o nosso, despojando-nos do local último, em que ainda poderíamos ter alguma autoridade profissional e sermos nós mesmos?

No meu entendimento, esta atitude gera uma desautorização ainda maior da nossa profissionalidade. Não é uma postura benéfica, claro que não. Expõe um exagerado controlo, questiona a validade da formação a que fomos sujeitos, da capacidade dos nossos orientadores de estágio fazerem uma aferição correcta das nossas competências, gera inibição de professores e alunos em situação de aula, justifica a maldosa perseguição por parte deste Ministério e destrói completamente a essência do ensino.

 

Tenho pena que esta classe de que faço parte,  me envergonhe também e não se insurja contra estas injustiças. Lamento que numa altura tão conturbada e difícil para todos, haja sempre aqueles   "seres conspiradores" que, no meio da discórdia e da fragilidade, tentem subtilmente destacar-se pela diferença, mostrando uma aparente "maior profissionalidade" que os restantes colegas e assim, consigam pôr uma capa mais bonita e mais brilhante.

 

                                                                                                                                      Brama

 

 

 

 

 


publicado por Brama às 19:27
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Suspensão da Insana e Bizarra Avaliação

Caros colegas,
o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto aceitou a providência cautelar apresentada pelo SPN.

Nesse sentido e apesar do que diz o ME, está tudo suspenso. Felizmente não é o imbecil do Miguel Sousa Tavares que governa o nosso país (ainda que ele o sonhe...) e os tribunais ainda têm poder sobre os actos do Governo.

As consequências são simples e podem ser consultadas no site da FENPROF:
- o despacho que delega na futura Presidente de um Órgão que ainda não existe as competências do futuro órgão;
- o despacho com as fichas. Ou seja, não há fichas nenhumas para se trabalhar;
- o despacho com os prazos.

Surpreendentemente o ME colocou no "site" da DGRHE as posições que antes assumira verbalmente ( as escolas podem fazer os seus próprios calendários).
Fê-lo através de uma folha branca, sem timbre e sem responsável que assine.


Quanto à questão da presença no Plenário, creio que este texto explica tudo

Será que é desta que estamos num melhor caminho?

 

Finalmente começa a acontecer algo, ainda residual, que nos conforta!

Agora é só continuar a aumentar a pressão!


Nota: divulguem esta informação junto dos colegas que conhecem!

 

 




publicado por Brama às 19:05
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Comenius

Precisava de um incentivo, algo novo, diferente de tudo o que até então já havia feito nesta profissão. No presente momento em que profissionalmente, não vejo qualquer luz ao fundo do túnel, tomei uma atitude drástica e pouco ou nada reflectida ( o que também é uma novidade em mim, que agonizo ante a tomada de qualquer decisão). E é assim, candidatei-me (juntamente com uma colega), a participar da parte da nossa Escola, no Programa Comenius, em que participam outras escolas de diferentes países europeus. Este tipo de projectos de natureza bilateral ou, no caso multilateral, implica um trabalho conjunto e articulado entre as diferentes escolas envolvidas, norteado por um determinado tema de pesquisa de interesse educativo ou pedagógico. Os temas a desenvolver pressupõem em última análise um benefício real para as práticas educativas e um maior conhecimento de outras realidades escolares por comparação com a nossa própria realidade. Neste tipo de projectos, estão naturalmente previstas algumas mobilidades no sentido de contactar e conhecer in loco o funcionamento de outras escolas e sistemas educativos, noutros contextos socioeconómicos. Ainda não percebi bem qual o tema do projecto que poderei integrar, mas parece-me que se relacionará com a Diversidade Cultural dos diferentes países participantes. Confesso que estou um pouco apreensivo mas, simultaneamente entusiasmado com a ideia de fazer algo diferente ainda que, em termos profissionais, isto possa não servir para nada (julgo que nem para a nossa própria avaliação), além do que, no nosso horário este envolvimento não é contemplado nem previsto, sendo apenas trabalho do meu próprio interesse pessoal sem qualquer tipo de repercussões além, do próprio "benefício pessoal". A candidatura está feita e seguiu para a Agência Nacional ... agora é esperar pela aprovação ou desaprovação.


publicado por Brama às 23:12
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Mais uma infeliz entrada da Miluzinha

Para que não haja dúvidas acerca do respeito que esta "ministrazeca" tem pela classe dos professores e da forma indigna com que se dirige aos mesmos, manchando e denegrindo ainda mais  a sua imagem aos olhos da opnião pública. Esta "senhorazeca" não merece a mínima consideração nem o mínimo crédito da parte dos docentes e da Sociedade em geral.

 

http://educar.files.wordpress.com/2008/01/ps.jpg


publicado por Brama às 14:41
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

PROFSEMLUTA

Colegas e amigos(as)

Divulguem esta informação.
 Parece-me mais que altura de bater o pé a esta "palhaçada".
 
A próxima reunião pode ser muito esclarecedora.

Colegas!


Já fez uma primeira reunião no sábado, dia 12 de Janeiro em Caldas da Rainha.
Encontrava-se agendada uma segunda reunião, sábado dia 09 de Fevereiro, nesta mesma cidade.

Se concordas com o MANIFESTO divulga-o o mais possível.
Para mais informações usa o seguinte e-mail

 
PROFSEMLUTA é um movimento de professores independentemente de qualquer filiação organizacional (partidária ou sindical) que contesta o Estatuto da Carreira Docente, o novo modelo de gestão escolar e o Decreto Regulamentar da avaliação de desempenho.
profsemluta@hotmail.com
 

publicado por Brama às 22:30
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Ela é que sabe, a Sra. Ministra!

O sistema educativo não estava famoso, mas não precisava, Senhora Ministra da Educação, de aparecer para estragar o resto!
Vem, V/ Exa., perguntar agora o que estão 30 professores a fazer numa sala de professores?
Sabe que também me coloco (e coloquei aqui) essa questão muitas vezes? E sabe o que estão lá a fazer?
O que V/ Exa. mandou: a cumprir horário!
Não aumentou a carga horária dos docentes?
Esqueceu-se, foi?


Tal como as utilíssimas «aulas de substituição» em que V. Ex.ª coloca um professor de Matemática a substituir um de Educação Física e vice-versa.
V/ Exa. Manda e os professores obedecem! Não têm alternativa, não é verdade?


Pode, portanto, V/ Exa. orgulhar-se dos resultados obtidos!
Eles são a consequência da sua «reforma»!

Mas não se preocupe pois vão piorar! Com o escabroso Estatuto da Carreira Docente que V/ Exa. inventou, os resultados só podem evidentemente piorar! Nenhuma reforma, nunca, se conseguirá impor por decreto-lei nem contra a vontade da maioria dos envolvidos!
Os professores, obedientemente, cumprem e cumprirão sempre as suas ordens! Contrariados… muito contrariados… mas cumprirão! Não lhes pode é pedir que, apesar de tudo, as cumpram de sorriso nos lábios, felizes, contentes e totalmente envolvidos com as suas orientações! Não há milagres!
Cumprirão e ponto final! Que é o que V. Exa. quer?
Não se pode, portanto, queixar.
Continue a mandar assim e verá a tal curva de crescimento em queda absoluta.
É que não pode V/ Exa. exigir que se cumpram 35 horas de serviço na escola e se venha para casa preparar fichas de trabalho… apontamentos… actividades…estratégias… visitas de estudo… grelhas… avaliações… relatórios… currículos alternativos…programas adaptados… trabalhos em equipa… etc.… etc.… etc.·
V/ Exa. Tem família?
Saberá, porventura, o que é a dor de um pai que se vê obrigado a negligenciar a educação e o crescimento do seu próprio filho para acompanhar os filhos dos outros?
Esquece V/ Exa. Que os professores também são pais?
Também são pais, Senhora Ministra! Pais!


Que estabilidade emocional pode um professor ter se V/ Exa. resolve, 30 anos depois de Abril, impedir os professores de acompanharem os seus próprios filhos ao médico … à escola… aos ATLs?
Não têm os pais que são professores os mesmos direitos dos outros pais?


Conhecerá V/ Exa. a dor de uma mãe que se vê obrigada a abandonar o seu filho, prometendo-lhe voltar dali a uma semana?
E quer V/ Exa. motivação natural?
Com a vida familiar desfeita?
Não é do conhecimento público que os professores são os maiores clientes dos psiquiatras?
E que é entre os professores que se encontra a maior taxa de divórcios?
Porque será, Senhora Ministra?
Motivação?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a fazerem de auxiliares de acção Educativa?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a estarem na escola mesmo sem alunos? Motivação como se V/ Exa. obriga a cumprir 35 horas na Escola mesmo não tendo esta os meios essenciais para que se possa trabalhar.


Motivação, como? Se temos que pagar fotocópias, tinteiros para as impressoras da Escola…canetas… papel?
Motivação, como? Se o clima é de punição e de caça aos mais frágeis?
Motivação, como? Se lava as mãos como Pilatos e deixa tudo à deriva passando toda a responsabilidade para as escolas?

Não é função de V/ Exa. resolver os problemas?
Não seria mais produtivo trabalhar ao lado dos professores?
Motivação, como? Se de cada vez que abre a boca para as televisões fá-lo para tentar virar toda a sociedade portuguesa contra a classe?
Motivação, como? Se toda a gente percebe que o seu objectivo é dividir para esfrangalhar a classe e poupar uns cobres?
Quer lá V. Exa. saber da qualidade do Ensino para alguma coisa!.... Quer é poupar!
O que vale é que por todo o país a opinião pública – e principalmente os Pais – já se estão a aperceber disso.

Motivação, como? Se V/ Exa. tem feito de tudo para isolar os professores dos alunos, dos pais, dos Sindicatos, da sociedade em geral?·
E fica V/ Exa. admirada com os resultados?
Não eram estes os resultados que esperava obter quando tomou posse e iniciou a sua cruzada contra os professores?
A sua estratégia é a mesma daqueles professores que V/ Exa. acusa de não estarem preocupados com os resultados escolares dos seus alunos.


Sabe, Senhora Ministra da Educação?
O sucesso não depende do manual… como não depende de decretos---lei!
O sucesso depende do envolvimento que o professor consegue com os seus alunos!
Depende da capacidade de motivar! Depende da capacidade de o professor ir ao encontro dos interesses dos seus alunos.
Depende da relação professor-aluno! - a tal que V/ Exa. queria que fosse avaliada por alguém de fora da escola!
A mesma que, se fosse feita a V/ Exa., daria nota zero.

E, já agora, Sra. ministra, já que a esmagadora maioria (quase totalidade) dos seus colegas de governo são reformados – alguns 2 vezes – siga-lhes, por favor, o exemplo.
Eu não me importo de trabalhar até aos setenta se V. Exa. se reformar já - mas da política!
Pode ser?

 

 

 

Recebi este texto por mail e ... considerei-o simples e de leitura acessível a todos. Mostra sumariamente  o negro quadro do  actual estado da Deseducação (vulgo, Educação) Portuguesa. Será a DP, se repararem o inverso de PD (País Desenvolvido).

P.S.: Peço desculpa mas terei que fazer uma correcção. O texto que apresentei, que não é de minha autoria, mostra sumariamente pelo menos 10% do negro quadro do actual estado da Deseducação Portuguesa (D.P.). Não vão os meus queridos e dedicados leitores pensar que o doentio e infernal ataque aos docentes fica apenas por estes "aspectos de pormenor". Não, claro que não ... a coisa está GRAVE mesmo, CALAMITOSA ... E NÃO DEVE POR NINGUÉM SER TRATADA DE FORMA LEVIANA PORQUE ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO OU NÃO É A EDUCAÇÃO UM PILAR FUNDAMENTAL EM QUALQUER SOCIEDADE?! A REFLEXÃO DEVE SER CONJUNTA, ADULTA E RESPONSÁVEL. É DE CARÁCTER PRIORITÁRIO PENSAR-SE NA SOCIDEDADE QUE QUEREM TER AMANHÃ, PARA VOCÊS E PARA OS VOSSOS DESCENDENTES!

 

                                                                                                  Brama


publicado por Brama às 23:33
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Tapete por ter cão e por não ter

Neste momento o Professor é como um Tapete. Se está de pedra e cal, é espezinhado por todos, no fundo a raíz de todos os males da Sociedade, o responsável máximo dos erros nacionais. Se não está, todos reclamam que não está onde deveria e não têm onde "limpar os pés".

 

Está visto que os professores actualmente são culpados de tudo, dos males existentes e do inverso desses males. Será melhor sucidarem-se em massa? Mas se o fizerem, que bode expiatório se arranjará? ... dá muito jeito ter agora os professores, enquanto nos entretemos com eles, disfarçamos os verdadeiros podres e depois, como iludimos a massa amorfa do povinho português? Não dá mesmo jeito nenhum que os professores desapareçam assim sem mais nem menos ...

 

Só um aparte: Nunca mais se falou do caso Maddie, já encontraram a mocinha ou mais uma vez o poveco sofreu o trabalho maquinal dos media ... é isso, o povo é mentalmente controlado pelos órgãos de comunicação social.

 

E a Casa Pia? já não há abusos de crianças, cessaram para sempre?! ... Ai mas que bom! Parece então que o mal se resolveu de vez.

 

E a corrupção no futebol? Agora são todos correctos e cumpridores?

 

E o dinheiro dos portugueses gasto pelo Governo em passeios de diversão (vulgo, representação), almoços e jantares, bos carros, etc?

 

Então e a Fátima Felgueiras? onde anda essa v*** agora? Nunca mais se falou dela, nem do  c***** do Valentim Loureiro ...

 

Também estou a ser mauzinho ... agora fala-se muito do encerramento das Urgências e o caos na Saúde ... afinal os bandidos, malfeitores dos professores não estão sós. O Governo também tem alguns "maus" , temporários claro. Os "maus" eternos são os que não se podem defender, esses podem andar sempre nas bocas do mundo, não podem pagar bons advogados e tal, não podem subornar com tanta facilidade, por razões óbvias, são uns pelintras mesmo.

 

Os outros c****** safam-se bem, fazem m**** mas depois ocupam outro poleiro qualquer a ganhar mais ou então reformam-se compulsivamente  coitados, com reformas de alguns mil, vitalícias ... uma alegria. Viva Portugal e esta Corja toda!

 

 

Este foi o aparte ...

 

Continuando, os Professores são o Tapete sim ... mas não para serem espezinhados ... são o Tapete porque são um elemento fundamental na estrutura de uma Sociedade digna e correcta, uma Sociedade que se pretenderia mais responsável, mais educada, mais solidária, mais cívica, melhor. Atacando o Tapete desta forma, estamos a destruir os alicerces, a vitimizar a base, a contribuir para o apodrecimento de todo o sistema ... os resultados esses, o tempo os demonstrará.

 

PS: Dar uma espreitadela nos textos "Linguagens" e "O (in)sucesso dos números e das mais jovens cabecinhas" do Graduated Fool

 

http://someridiculousthoughts.blogspot.com/

 


publicado por Brama às 23:14
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Futuro do Professorado!

 

Aluno para a  Professora:
- Não quero alarmá-la, mas o meu pai diz que se as minhas notas não melhorarem, alguém vai levar uma sova!

 

 

... Bem, será que fica só pela sova?

 

Depois da sova ainda poderá vir a solicitação do plano do aluno, para confirmar o motivo da incompetente professora não ter conseguido subir as notas da criatura (a parte do aluno se esforçar em estudar aqui interessa pouco e será apenas um pormenor estético), o pedido de leitura de todas as actas anteriores, de conselho de turma de avaliação, intercalares, de pais, etc, etc, para confirmar se a professora antecipou bem tudo o que, em princípio deveria fazer para que o aluno tivesse melhor avaliação e se fez o diagnóstico correcto das dificuldades da criatura linda (mais uma vez, a parte do aluno se empenhar é absolutamente secundário) e já agora, porque não, confirmar se no PCT estaria tudo bem previsto, bem delineado, se a professora (não o aluno, claro, que disparate!), cumpriu integralmente tudo e mais alguma coisa se possível (não esquecer aqui que, em cada aspecto individual de avaliação do docente, este só atinge o patamar mais elevado, o "cumpriu plenamente", não se realmente cumpriu plenamente, mas antes se superou aquilo que havia definido cumprir ... curioso não vos parece?! ou no mínimo, linguisticamente inovador!) ... e ... já agora, porque não, sem querer ser muito abusivo, solicitar à docente as planificações da disciplina, anual, por período e (só para mostrar simpatia) a diária, se for caso disso ... mais os critérios definidos para a disciplina e no caso concreto do filho penalizado, coitadinho, se foi tudo bem calculado, sem que haja qualquer inexactidão nas ponderações. Ah, como poderia esquecer-se ... as grelhas de observação diária da professora, dos vários items de avaliação e só para terminar, evitando chegar a um nível de mesquinhez, solicitar as matrizes dos diversos testes de avaliação realizados, para confirmar os "pesos" dos vários tipos de questões, comparar com o excelente trabalho, mal avaliado por sinal, da criança lesada e perceber com tudo isto que, parece evidente que a sova inicial foi bem dada ...

 

Ai sua magana ... ainda deveria ficar agradecida de apanhar ... sua mandriona.

 

Só quer é férias sua maluca ... e subsídios de Natal, para comprar presentes à família ... e passagens do ano no Funchal. Trabalhinho que é bom é vê-lo, não é!

Pois toma lá para aprenderes e agora vê lá se aprendes para a próxima. Se deres negativa a algum dos teus quase 200 alunos apanhas à cabeça. Vai agora chorar para casa ... mas antes confirma se tens algum acompanhamento ou substituição para fazer, sua pindérica!

 

 

                                                                                                                                                Brama


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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Inércia de Domingo

O Domingo é e sempre será o dia da semana que mais detesto ... é um dia ínsipido, enerva-me em absoluto porque parece disprovido de qualquer sentido, um dia em que nada apetece fazer mesmo que nos apeteça teoricamente, um dia que sabemos antecipar o desagradável retomar à tortura do dia seguinte, tortura cada vez mais real, mais efectiva porque sentimos ser, não pessoas, como antes, mas peças da meticulosa e doentia engrenagem ministerial. Eu já não me sinto propriamente professor ou educador, sinto-me um verdadeiro burocrata e funcionário em despachar papéis para todos os sítios, papel sem utilidade real mas que agride cada vez mais o  Ambiente de equilíbrio já tão débil. Acho mesmo que o primeiro objectivo da formação que fiz, o de ensinar a minha disciplina, já não tem praticamente lugar e será apenas função de alguns professores abençoados e iluminados pela posição que ocupam em algumas escolas e que, contra todas as expectativas, ainda conseguem escolher as turmas onde poderão ensinar apenas e exclusivamente a disciplina para que se formaram e claro,   com uma fantástica estratégia táctica, livrarem-se mesmo do exercício de algumas funções que envolvam demasiada papelada e muita responsabilidade. Esses poucos, serão os verdadeiros professores, os outros muitos, funcionários a laborar mecanicamente, de preferência sem grande demonstração do tal espírito crítico e autonomia (que aconselham vivamente e avaliam nos seus alunos), sob pena dessas capacidades se traduzirem negativamente na sua própria avaliação.

 

A semana que está a terminar  foi (posso afirmá-lo), como se costuma dizer, uma "semana de cão". Estive na minha Fábrica (vulgo, Escola), todos os dias da semana, os três turnos diários que, ainda há pouco tempo  se constava não ser legal. Isto quer dizer que, estive na escola a manhã, a tarde e a noite de quatro dos cinco dias. No último estive de manhã até ao almoço. Trabalhei mais do que as trinta e cinco horas que me pagam e nelas não estou a englobar naturalmente as nove horas de formação que tenho feito semanalmente (que por lei, terão de ser realizadas em horário pós- laboral, embora a nossa avaliação também dependa delas). Senti-me uma espécie de operário entre os milhões de chineses que estão fechados nas suas fábricas a trabalhar incansavelmente, sem chegarem a ver a luz do Sol. Só me faltou dormir na Escola o que, pelo rumo que as coisas levam, já não visiono como impossível. Após os toshibas e os fujitsus dos 150 da e-escolas, seguir-se-á talvez, os colchões mais duros ou menos duros para a professorada apoiar a cervical na sua instituição de ensino numa sala a designar pela escola (ao abrigo da autonomia de escolas) e aí pernoitarem durante a semana, o que é muito mais produtivo para o Ministério da Educação. Atenção este cenário não é delírio meu, pelo rumo que as coisas levam, acho mesmo possível e os "professores" acatarão logicamente como tudo o resto. Já estou a imaginar reuniões de departamento para escolher as salas por departamento para as dormidas e montar os "camalhos". Já estou a imaginar as discussões entre os docentes porque há que dar privilégio à titularidade na escolha das melhores salas, as mais quentinhas, as que recebem directamente luz solar, as que se encontram mais perto do w.c. ... Será uma loucura, reuniões atrás de reuniões sem chegar a um consenso, com horas extra não pagas, com discussões levadas a pedagógico ... lindo e maravilhoso.

Ainda nesta semana, aconteceu-me algo inédito. Na quarta-feira, por impossibilidade de ser noutro momento qualquer, atendendo aos horários super preenchidos e diversificados de todos os docentes, eis que tive três reuniões à mesma hora. Sim, não se admirem, três reuniões às 14h30. Resultado, estive todo o dia na escola das 8h10 até às 22h, com uma hora de almoço, sim apenas uma hora livre neste espaço de tempo e ainda acabei por ter falta a uma das reuniões porque, qual Super Homem, só consegui estar presente em duas delas. Evidentemente que a falta será justificada internamente, mas é um pouco desagradável imaginar-me todo o dia na escola e no final ainda ter falta ... no mínimo irónico. Noutra altura aborrecia-me muito mais, mas agora sinto-me cada vez mais imune a tudo. No meio da palhaçada montada, se quisermos sobreviver há que rir um pouco também e não levar nada a sério. Convém no entanto continuar a representar bem e fingir que estamos todos afectados pelo rumo das peripécias ministeriais e todos muito empenhados nesta missão. Este país não tem futuro e isso é cada vez mais claro para mim.

 

É Domingo, claro que tenho coisas para fazer ... qual é o professor que não as tem nesta altura do ano??? Mas não vou fazer ... fica tudinho para a semana, durante a semana logo faço, até porque depois desta semana, sinto-me desmotivado para pegar sequer numa esferográfica e sinto-me mesmo irremediavelmente inerte.

 

                                                                                                                                               Brama

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Domingo, 25 de Novembro de 2007

Programa Novas Oportunidades

Na mira da desocultação de competências já adquiridas por todos os portugueses ... e da possibilidade de atribuir habilitações e cursos para todos, incluindo os que já tinham e ignoravam tal facto e como forma de alimentar o pernicioso esquema arquitectado pelo Ministério da (Des)Educação  de, à viva força, engrossar as estatísticas educativas portuguesas ... cá vai.

 


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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Grande Entrevista a Mademoiselle Lurdecas

Após a Grande Entrevista à Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues por parte da jornalista Judite de Sousa, penso que o melhor humor português feito até ao momento (Gato Fedorento), tem um concorrente à altura. A nossa Ministra da Educação sem que o saiba (autismo), é uma humorista absolutamente genial, em todos os aspectos. Ela consegue ser  tudo em simultâneo, disparatada, mentirosa, alucinada, alienígena, improvisadora, surda, repetitiva ... e quando achamos que já não sustentamos mais a risada, por já nos doer demais os maxilares e a garganta, eis que nos martela o mais possível com um corropio de "Abzentismos", que nos fazem saltar as lágrimas e obrigam a entrevistadora a um disfarçado sorriso, muito contido para não perder a compostura e deitar a perder completamente aquele momento de ouro do humor português.

 

Apesar da jornalista Judite de Sousa ter colocado questões simples, práticas e pertinentes, a nossa Ministra não esteve minimamente à altura de responder, perdeu-se em repetições, contornou e contornou, deambulou por generalidades mas, em bom rigor, não respondeu ao que lhe foi perguntado. Da entrevista efectuada, concluo que a nossa Ministra:

 

1- Sofre de elevado autismo, porque vive numa realidade criada apenas à sua medida (ou dos seus interesses), não ouve ninguém nem consegue responder cabalmente a uma só questão que lhe seja dirigida de modo simples e prático. Como é óbvio, seria impossivel por exemplo esta senhora estar numa aula de 7ºano, em que vinte crianças solicitassem em simultâneo a sua atenção, por razões completamente distintas.

 

2- Ignora em absoluto a realidade que ministra, não conhece ou não quer mesmo conhecer a realidade das escolas portuguesas, os n problemas existentes.

 

3- Mente descaradamente, tentanto enganar-se inclusivamente a si própria. Perante questões muito simples acerca das críticas ao estatuto do aluno, foi incapaz de uma resposta concisa, avançou para aspectos despropositados.  Ainda entende que os professores estão motivados e devem abraçar essa missão, portanto, mente categoricamente e é autista. Também mencionou que os executivos das escolas concordam na íntegra com as novas medidas: conheço alguns casos em que comprovadamente não é assim mas, cá está, é fácil dizê-lo numa entrevista sem dados em que se apoie, pois os executivos como não têm voz não poderão discordar, os restantes docentes como não estiveram presentes nas suas reuniões, também desconhecerão e estão impossiblitados de rebater. O restante povo, distante destas coisas do ensino, se forem muito ingénuos engolem as palavras da ministra e ... fica tudo como antes.

 

4- Continua a desvalorizar e a subjugar o papel dos professores e educadores na sociedade portuguesa, ao mostrar que estes têm apenas de acatar as suas medidas, limitar-se a pôr estas em prática, trabalhar em prol dos alunos esquecendo os seus próprios direitos enquanto classe, minimizando as suas funções e ridicularizando a sua postura de descontentamento. Segundo a Ministra é indiferente que os professores não estejam com ela, desde que façam cumprir as suas intenções e objectivos. Daqui concluo que a sua função como Ministra é desnecessária, se não se preocupa que os professores não estejam com ela, será porque não é para eles que trabalha, logo depreende-se que não tenham de acatar as suas medidas.

 

5- Insiste num discurso gramaticalmente incorrecto, dando pontapés em alguns vocábulos. Aconselha-se à senhora, uma urgente acção de formação de longa duração, modalidade oficina, em horário pós laboral, para aperfeiçoamento da língua portuguesa. Ou então, porque não, integrar as aulas de apoio de Língua Portuguesa em conjunto com os nossos alunos do 3ºciclo, abraçando a sua formação do mesmo modo missionário que espera dos docentes, com relação às suas funções de docência.

 

                                                                                                                                   Brama


publicado por Brama às 22:17
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

22% em 2 Anos

Foi esta a redução da taxa de insucesso escolar nos últimos dois anos. Passam esta notícia assim sem mais nem menos na comunicação social e todos aplaudem o Ministério da Educação, por estar a fazer um bom trabalho. Falta explicar como é que se obteve esse decréscimo, porque não explicar?! Seria interessante, ou não? Mas sem rodeios, sem hipocrisias, sem omissão da realidade, sem ocultações de espécie alguma ... explicar apenas seca e cruamente, passo por passo, para elucidar toda a portuguesada lá por casa. É um belo desafio, não acham?!

Obrigado Senhora Ministra e respectivos subalternos pelos 22% de aumento de sucesso escolar. A pedagogia romântica da iliteracia, da irresponsabilidade, do laxismo, do desleixo, da deseducação estão a dar os seus frutos. Bem hajam e continuem no caminho da formação de um povo exponencialmente inculto, desinteressado e desinteressante.

                                                                                                           Brama

                                                                                   

 

 


publicado por Brama às 22:39
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Inversão de Papéis

No tempo em que era aluno, eu andava à escola, tinha de provar que merecia uma boa avaliação por parte dos professores que, do seu pedestal de inabalável sabedoria, nos avaliavam. Os materiais eram pouco apelativos (quantas vezes me lembro dos testes escritos à mão, com uma letra imperceptível e sem que nós pudessemos esclarecer dúvidas), os manuais imensos, tantas vezes pouco pedagógicos e de uma linguagem quantas vezes indecifrável ou desadequada do nosso nível etário. Os métodos e as estratégias aborrecidas e repetitivas, as aulas marcadamente dirigistas, expositivas, centradas no professor e no seu conhecimento que, muitas vezes mantinha uma postura de afastamento face aos alunos. Os alunos limitavam-se a ser receptáculos do que era transmitido e não era nada conveniente, para a sua avaliação, ousar contestar a palavra do professor, ou advertir um eventual lapso ou engano que da parte deste ocorresse. Conversas descontraídas sobre outros temas eram pouco ou nada usuais, por exemplo sobre os reais problemas da adolescência dos alunos, sexualidade, etc. Aliás, os supostos bons e exigentes professores jamais se dignavam a dispor do seu tempo pessoal para falar com os alunos sobre um qualquer problema familiar, algo que os angustiasse. Mas eram esses os bons professores, como todos referem, os professores respeitáveis, com muito tempo livre para si, com matérias mais que memorizadas e proferidas ano após ano, sempre segundo metodologias idênticas, sem uma verdadeira formação pedagógica, sem diversificação de estratégias atendíveis à diversidade de graus de dificuldade e diferentes ritmos de aprendizagem da criançada e sem a burocracia dos dias de hoje e a sistemática necessidade de lidar com o imprevisto. Era tudo muito simples e tudo estava sob controlo. Uma grande falta de respeito era, por exemplo, mascar pastilha elástica na aula ou dizer a palavra "Porra". 

 

Passados apenas cerca de quinze anos, mais coisa menos coisa, eis que quem anda à escola são os professores ... que ironia do destino, "mudam-se os tempos e as vontades ...neste caso para tomar defeitos e não qualidades". Passados tão somente quinze anos, a realidade está configurada de uma forma completamente distinta. Quem tem de provar alguma coisa são os professores, mas não há limites para isso.  Os alunos, esses andam frescos e airosos a gozar do panorama, a escola é um local para passar o tempo e não estar na rua a fazer alguma coisa menos própria ou menos aconselhável. A avaliação dos alunos, qual avaliação????!!!!, só se for dos professores, esse processo nos alunos faz parte do passado, que jeitos!!! Os pais não vão às escolas saber informação dos seus filhos, sobre assiduidade, comportamento, aproveitamento ... claro que não, que disparate. Os pais dirigem-se às escolas para saber quem foi o c***** do professor que mandou o filho para a rua, lhe deu negativa, lhe marcou falta de atraso no primeiro tempo da manhã (quando já se sabe que a criança tem dificuldade em sair da cama) ou ousou enviar muitos tpc's quando o filho tem ginástica, ioga, meditação zen ou natação ... Na melhor das hipóteses vão aconselhar os professores às práticas mais adequadas em sala de aula, como os professores deverão fazer os testes ou como falar com os seus filhos, já depois de terem admitido nada conseguir fazer deles. Os alunos andam calmos, não stressam com coisa nenhuma e todas as advertências não têm já qualquer efeito, pois sabem que só precisam de respirar para transitar de ano e agora com o novo estatuto para o aluno do ensino não superior é ouro sobre azul ... é os professores começarem a exigir demais, como estarem calados ou atentos na aula e a desistência é certa, com reflexos na transição imediata do aluno, para não haver grandes confusões. Os professores estão mais preparados que nunca, científica e pedagogicamente, mas claro que isso não chega. Diversificam estratégias, fazem formação contínua, adaptam-se à novidade sistemática e à mudança a pulso, adaptam-se aos diferentes ritmos, diferenciam actividades, estão próximos dos alunos, ouvem-nos mesmo depois de ofendidos na sua integridade, perdem-se em burocracias e funções várias, papelada para entreter cosmeticamente, dão o melhor de si, mas nada parece chegar e são injustamente punidos com congelamentos de escalões, ofensas verbais e por vezes físicas, ausência de quaisquer ajudas de custo e um denegrir permanente do seu papel na sociedade. Servem como cobaias todas as ideias espectaculares concebidas ministerialmente e de preferência sem grandes alaridos, que o barulho incomoda suas excelências governativas. São estes os avaliados, os que andam aflitos nas escolas ... já não são os alunos, estes não precisam de mostrar nada ...

São os desrespeitados, os denegridos, os carrascos dos professores de hoje que têm de provar alguma coisa ... e os únicos envolvidos no processo a fazê-lo.

 

                                                                                                                                          Brama

 

 

 

 


publicado por Brama às 21:57
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Ainda estou boquiaberto!!!

Duvidei dos meus próprios ouvidos, esperei que hoje na escola, em conversa com os colegas, alguém me aclarasse ou dissesse que tinha ouvido mal ou que a notícia tinha sido incorrectamente transmitida ao público. Curiosamente poucos deram conta da notícia, o que também não é estranho, agora os professores casaram-se com a escola, ouvir o noticiário só pode ser um grande capricho de quem não tem que fazer. Afinal, já no fim do dia, em conversa com uma colega da disciplina de Matemática, comprovei que, pelo menos os dois ouvimos o mesmo. Sim, o Governo pretende com esta nova medida, não atribuir maior autoridade ao corpo docente, claro que não, pretende sim, promover o laxismo, o absentismo, a irresponsabilidade, em última análise, o abandono escolar e uma sociedade futuramente minada de adultos, profissionalmente  incompetentes  dispersos por todas as áreas da sociedade, nos quais eu não vou confiar minimamente. Este Governo está conivente com a Deseducação. O pior é que esta machadada final ( se este projecto-lei for aprovado) neste sistema educativo do faz-de-conta, se traduzirá nas esperadas consequências malévolas, que serão cobradas, claro está, aos professores. Serão estes os responsáveis últimos e reais neste processo, a deslizar no tapete malevolamente tecido pelo Governo. Se este projecto-lei for efectivamente aprovado segundo estes moldes, para mim significa exactamente o fim, o descrédito total e qualquer aluno que seja reprovado sendo assíduo, será sempre uma injustiça por comparação com os desistentes que farão exame e, independentemente do resultado que obtiverem, transitarão sempre de ano. Estou em crer que o aluno, que transitará à partida, na possibilidade de obter avaliação negativa, significará uma penalização para o professor que, não transmitiu bem a matéria e deverá compensar o aluno, que não quis ir às aulas, com aulas suplementares. Num universo de demência total, já qualquer ideia é passível de ser levada à prática e as questões do ensino em Portugal lideram certamente esse universo.

 

                                                                                                                                   Brama


publicado por Brama às 21:56
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