Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Porco Agridoce

Hoje deu-me um daqueles desejos gastronómicos que só visto. Isto não é normal ... meti na cabeça que tinha de comer porco agridoce do chinês e quase me babei a tarde toda só de imaginar o saborzinho. Mais tarde lá fui a um restaurante chinês buscar para casa, uma feliz quantidade de porco agridoce+arroz xau-xau (ou será chau-chau?!)+crepe+entrecosto com mel. Vim a correr para casa devorar tudo avidamente. Já tive desejo de muita coisa, agora de porco agridoce é uma novidade. Nem sequer é das coisas que mais aprecio comer no chinês. Será que estou bem?

 

sinto-me:

publicado por Brama às 00:14
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Berreiro ...

Há umas horas atrás aconteceu-me uma das situações mais engraçadas que já me havia ocorrido. Acabado de chegar a casa, deparei-me com uma colega da Escola que chegava à Urbanização quase ao mesmo tempo. Enquanto estacionava e com dificuldade retirava a sua cria do carro, ficámos de conversa, conjecturando sobre o tema de sempre ( a m**** do ensino, as coisas da escola, isto e aquilo ... na escola). Lá tira um menino muito lindo e simpático, loiro de olhos azuis, parecidíssimo à senhora, sua mãe, muito longe de ter traços de português, embora o seja efectivamente ... se visse aquela criança sem saber de quem era, juraria a pés juntos que era nórdico, holandês, qualquer coisa do género. Não sei porque carga de água, a criança pareceu hipnotizada comigo desde o primeiro momento, uma espécie de amor à primeira, ria-se desmedidamente. Ainda pensei: "_Será que tenho cara de palhaço?". Achei-o muito simpático e ia perguntando à mãe coisas ao mesmo tempo que tentava retribuir excessiva simpatia. Lá me foi dizendo que tinha 2 anitos, chamava-se Vasco enquanto caminhávamos para a Urbanização. E assim foi, chegados à Urbanização, não querem lá ver que a criança não queria ir com a mãe e queria vir comigo para casa, imagine-se o despropósito. Ainda pensei que o miúdo estaria a brincar para testar a mãe. A mãe a chamá-lo e ele sempre atrás de mim encantado da vida. Enquanto interpretei como sendo uma brincadeirinha infantil, ia-me metendo com ele, perguntando-lhe se queria ir para minha casa, se queria ir lanchar comigo e coisas afins. Ainda mais estranhei semelhante atracção porque estava completamente vestido de preto, casaco de cabedal, o que à partida deveria assustar qualquer criança em tenra idade. Mas não, muito pelo contrário, a adoração foi total. Comecei a ficar preocupado, o miúdo não me largava e eu no impasse, caminhando para casa, ele seguindo-me freneticamente e a mãe cada vez mais afastada já sem saber o que fazer à situação. Tentei dissuadi-lo dizendo-lhe que a minha casa era horrível, tinha monstros lá dentro e diariamente tinha lá lugar um sacrifício humano (só não lhe expliquei que era sempre o meu ...), mas nada, nem uma tentativa mínima de desistência. Lá veio a mãe tentar a bem, mas perante a convicção da criatura, teve de o levar ao colo contra vontade e no meio de um berreiro que não querem ver. Bem, decididamente tenho mel ou alguma coisa qualquer. Nunca tal me tinha ocorrido e fiquei deveras estupefacto. O que teria levado aquela criança a tamanha atracção por mim?

 

                                                                                                                                            Brama

 


publicado por Brama às 18:46
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

A Espera

Lugar: Zona de Comidas no Fórum de Faro

Hora: Hoje de tarde

Envolvidos: Eu e um casal de amigos + uma senhora e respectiva rebento

 

(Nós numa mesa e a senhora com sua filhota na mesa ao lado, mostrando-se, a criança, visivelmente irrequieta)

Passados uns minutinhos, a senhora levanta-se e dirige-se ao jovem do casal que acompanhei:

 

Sra.: _ Desculpe, importa-se de olhar pela nossa mesa enquanto vou com a minha filha à casa-de-banho?

C.: _ Sim claro.

Sra.: _ Obrigado.

 

(Afastam-se mãe e filha, deixando sobre a mesa dois tabuleiros ainda com os pratos por metade e duas latas de Coca-cola)

(Consideramos a situação engraçada e avançamos com brincadeiras acerca da possibilidade de trocarmos a comida com a delas e especulamos sobre o que teria acontecido à criança para se ausentarem confiando em nós)

 

 (A coisa começa a perder a graça, demoram … os minutos passam e não podemos sair porque comprometemo-nos com as pessoas)

(Voltamos a especular sobre o que poderia ter acontecido à menina e avançamos com suposições sobre aquela que se começou a tornar não numa espera mas num desespero. Será que é uma enviada da Al-Khaeda, deixando numa das latas de Coca-cola uma mini bomba para explodir na zona de comidas apinhada de lambões comedores, o ponto de maior densidade demográfica naquele espaço àquela hora? Será que é uma situação para os apanhados e estamos a fazer papel de grandes otários? Afastámos a primeira hipótese já que a dita e descendente são nitidamente caucasianas … pensámos firmemente na segunda hipótese)

 

(O tempo passa e entretanto aproxima-se uma jovem meio marreca e com um arzito algo troglodita que recolhe os tabuleiros da nossa mesa, ameaçando fazer o mesmo à mesa ao lado, acto travado atempadamente sob um olhar algo indisposto)

 

(Começo a transpirar e a ideia de se tratar de uma situação de Apanhados assume para mim contornos cada vez mais reais … já haviam passados mais de 15 minutos. Levanto-me, circulo um pouco e observo o tecto pormenorizadamente, tentando descobrir cameras)

 

(Ameaço também o casal de amigos em me retirar, atitude não aceite por estes que entendem podermos esperar um pouco mais)

 

(Mais de vinte minutos decorreram e … nada de senhora e cria. Naquele momento era para mim evidente que iria ser visto por todas “as casas portuguesas …concerteza” e só esperei que a tal senhora surgisse e nos dissesse: _ Estão a ver ali aquela camera? Isto é para os novos apanhados da Sic.Vá lá, sorriam e façam adeus.)

 

(Finalmente avistam-se duas cabecitas ao fundo que parecem ser das ditas cujas. Aproximam-se calmamente como se nós tivéssemos a obrigação de esperar por elas a vida toda, dada a nossa grande proximidade e vêem a sorrir. Claro que a seguir ela diria o que eu já esperava)

Para meu espanto … nada disseram e mal ameaçaram sentar-se, perguntei-lhe:

 

Eu: _ Minha senhora, onde é que está a camera afinal?

Sra.: _ Hãããã !!!! ( deixa de sorrir e observa-me completamente surpreendida sem entender a questão!)

Eu: _ Pergunto-lhe onde é que se encontra a camera?

Sra.: _ Qual camera?

Eu: _ Não há camera?! Pronto … é que como a senhora demorou tanto tempo, achámos que estaríamos a ser filmados para os Apanhados.

 

(Seguidamente a senhora riu-se desconfortavelmente e enche-se de justificações para a espera a que nos votou. Já não a oiço atentamente, mas gostei de a deixar algo desbaratinada)

 

 

Chego à conclusão que de facto as pessoas funcionam de formas completamente diferentes e o que é entendido por uns como falta de educação, outros nem sequer pensam ou ponderam como tal. Já nem sei se é falta de educação, acho mesmo que as pessoas nem param para pensar em certas coisas elementares.

 

O que é que vocês fariam numa situação destas, após terem feito outra pessoa esperar, agravado de nem ser da vossa confiança ou da vossa relação mais próxima???

Eu pelo menos se a situação ocorresse comigo, no mínimo seria,  quando chegasse perto da pessoa, começar por pedir imensas desculpas pela prolongada espera a que a submeti seguido de um esclarecimento. Parece-me óbvio. Pois, para aquela indivídua não pareceu. Acho indecente. Depois admiro-me dos meus alunos não conhecerem o significado da palavra Obrigado. Aquela mãe estava longe de saber o significado de tal palavra, não transmitirá essa informação convenientemente à sua cria e no futuro serão os professores a ter de a educar sob pena de serem penalizados na sua avaliação ou terem uma qualquer queixa na Direcção Regional. Que gentinha esta ….

 

                                                                                                                      Brama


publicado por Brama às 00:00
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

E como um mal nunca vem só ...

Como se não bastasse a miséria humana em que se encontram as vítimas do ciclone no Bangladesh, eis que agora para reforçar o mau-estar daquelas e perante o desespero da fome, várias pessoas caíram de uma ponte quando em massa, correram em direcção a um centro de apoio que lhes oferecia arroz. A ponte colapsou, segundo as autoridades porque a tal instituição responsável pela oferta de alimento, não avisou das suas intenções, não sendo possível controlar a massa de gente que, esfaimada provocou a queda da estrutura que não suportou o peso de tanta gente. Parece que Deus se tem esquecido de muita gente de facto. Quando agradecerem a Deus a sorte que têm, é bom que se lembrem do pretensiosismo que isso implica ... a vossa vida não tem mais valor efectivo que a de qualquer outro.

 

                                                                                                                                   Brama

 

música: Jing Ying Soloists - Like waves against the sand

publicado por Brama às 14:23
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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Língua apressada!

camelos.jpg

(Imagem retirada da Internet)

 

Um homem foi condenado por um tribunal beduíno a pagar 46 camelos como sanção por ter lançado um piropo a uma mulher de outra tribo. Parece que o acusado lançou os piropos à senhora enquanto esta pastava gado, interrompendo-a no decurso das suas funções para se queixar à família, quando passou perto desta de carro, devendo de igual forma entregar o seu veículo, como pena pelo abuso. De início a pena previa o pagamento de 40 camelos (ou o equivalente em dinheiro), assim como o corte da sua abusiva língua. Mas após horas de negociação, decidiu-se pelo acréscimo de mais 6 camelos em vez da língua. Os beduínos têm um código de leis próprias e de acordo com estas, o procedimento normal deveria ser um inicial pedido de namoro  ou demonstração de interesse à senhora através de um emissário, que posteriormente lhe comunicaria, para que esta desse ou não a sua permissão. O fulano quis ser alarve,  antecipou-se e apressou-se às práticas vigentes e por pouco não pagou com a língua. Resta saber se a pastora seria uma espécie de Cindy Crawford das arábias, que justificasse semelhante risco!!!

Este planeta e a sua diversidade ...

 

                                                                                                                                        Brama

sinto-me:
música: Maria Callas

publicado por Brama às 12:47
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Domingo, 21 de Outubro de 2007

Isto sim, são Diospiros!

Como poderia eu gostar de diospiros se nunca havia comido nenhuns parecidos a estes. Não sendo uma fruta propriamente má, a verdade é que nunca tinha comido nada semelhante. Costumam ser doces, moles, desfazem-se e colam-se desagradavelmente aos dedos, mas também são meio ásperos, deixam a língua irritada e encarquilhada. Agora estes oferecidos pela Mar, estes são óptimos, vindos directamente de uma horta familiar, sem aditivos químicos, na sua mais pura naturalidade, quatro polposos e sumarentos enfeitando uma pequena travessa. Comi dois por inércia, para não se estragarem e eis que ... santo orgasmo divino, bendito seja o Senhor e as alminhas aladas. Houve prazer verdadeiro, quase igual ao que sinto quando como aqueles grandes, polposos e dulcíssimos figos roxos, o meu fruto preferido, que me obrigam a comer sem parar até ao último, sejam dois, dez ou vinte, até ao ponto da má disposição.Pois é ... sinto-me mesmo defraudado, afinal ainda não tinha comido diospiros mas uma péssima imitação. Estes são tão bons que vi jeitos de comer os dedos no desnorteio do sofrego saborear, fui ao céu e voltei. Tinha-os no frigorífico, estavam fresquinhos, húmidos, a polpa já havia rebentado a pele e escorria como lava, na sua tonalidade laranja, pedindo rapidamente por terem o tratamento acertado. Comi dois mas apeteceu-me comer os quatro. Mas não quis ter tanto prazer de uma vez só e assim sempre posso ficar excitado com a ideia de comer os outros dois mais logo. Estes nem deixam a língua com aquela desagradável sensação de aspereza. Agora já percebo porque Graduated Fool a considera como sua fruta preferida. Não é a minha, está longe de ser, mas estes eram de facto maravilhosos. Obrigado Mar pelos momentos de prazer.

 

                                                                                                                               Brama

 

sinto-me:
música: Rammstein - Rosenrot

publicado por Brama às 15:22
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Sítio do Papagaio Azul

B: _ É como a estória do tal papagaio azul que fizeste nas aulas de artes decorativas, nunca o tiraste da entrada da cozinha, mesmo quando por várias vezes, algum de nós ia ficando sem um olho nos bicos de ferro do papagaio.

 

M: _ Não, comprei-o. Num latoeiro internacionalmente conhecido, com um estaminé montado do outro lado de Tavira, com uma parede cheia de recortes de jornais, com as fotografias dele e dos papagaios de lata, era um latoeiro.

Continua no mesmo sítio.

 

B: _???? No mesmo sítio?

 

M: _ Sim!...No mesmo sítio… na entrada da cozinha.

 

B: _ Como assim? Vocês já lá não vivem.

 

M: _ É lá o sítio dele. Na entrada da cozinha. Quando o vi na loja, comprei-o porque ia ficar bem na entrada da cozinha, por ser azul. (é um pormenor que faz toda a diferença!)

 

B: _ Não me vais dizer que compraste o papagaio para o deixar lá, nessa casa, não?!

 

M: _ Sim, deixei-o lá ficar, é lá o sítio dele.

 

B: _ Fantástico, foste gastar dinheiro no papagaio para o deixares pendurado na entrada da cozinha.

 

M: _ Foi por causa disso que o comprei, para o pendurar na porta da cozinha, por isso é lá o sítio dele. Eu venho-me embora, mas ele fica lá.

 

B: _ Se calhar esqueceste-te e tentas agora justificar de alguma forma.

 

M: _ Nã, nã, nada disso, comprei-o mesmo para o pôr naquele sítio, não fazia sentido tirá-lo para o levar para outro sítio.

 

B: _ Mas isso é muito estranho. Como deverás convir, o mais certo é que, quem para lá foi, já o tenha tirado daquele sítio pelo menos, até porque, como percebeste, não era muito prático desviarmo-nos cada vez que tínhamos de entrar na cozinha.

 

M: _ Eu acho que era natural desviarmo-nos, se o papagaio estava centrado a meio da entrada, ainda havia o lado direito e o lado esquerdo perfeitamente livres para poderem passar. Só tinham de se desviar.

 

B: _ E como vais saber que, quem para lá foi não o tirou do sítio que lhe tinhas atribuído?

 

M: _ Não vou, mas já não é responsabilidade minha.

 

B: _ Pois, não sei se isso faz muito sentido, afinal gastaste o dinheiro no papagaio porque supostamente gostavas dele e queria-lo para ti.

 

M: _ E gosto, mas não significa que tenha de andar com ele a passear de um lado para o outro. Comprei-o para o pôr ali e pu-lo, vim-me embora e ele ficou. A partir daí é livre.

 

B: _ Não deixa de ser uma teoria curiosa, mas o papagaio não tem vontade própria, é de ferro?! Ninguém te garante que ele continuará lá.

 

 M: _ Não, não me garante, mas deveria lá ficar, porque é lá o sítio dele.

 

                                                                        Brama e Mar

                                     

 

música: Habanera Opera - Bizet - Carmen

publicado por Brama às 14:49
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

A Tira ... digo, a Bandolete!

Local: Bar de Profs da Escola

Hora: 09H05m

Dia: Hoje

 

A: _ Aqui é normal os alunos usarem umas tiras?

 

B: _ Umas tiras?! (questiona franzindo a testa)

A: _ Sim umas tiras, assim na cabeça

        (mexe desarticuladamente as mãos, simulando que se trata de umas tiras colocadas na cabeça).

B: _ Umas tiras?! (volta a questionar intrigado)

A: _ Sim umas tiras que as meninas costumam usar. (responde já algo impaciente)

     _ Não sabia que os rapazes também as usavam. Mas isso é daqui?

          (questiona com alguma  soberba e simultâneo repúdio)  

B: _ Referes-te a bandoletes? Pois ... não sei. Os miúdos usam-nas há muito tempo, mas qual

        é o problema?

        (não percebeu a pertinência do assunto levantado àquela hora da manhã)

A: _ Sempre pensei que fosse uma coisa de meninas, usar essas tiras.

         (volta a frisar com  repúdio)

B: _ Pois, sei lá. Mas isso incomoda-te assim tanto? ( nem sabia o que haveria de dizer)

A: _ É como os brincos, usam aquelas coisas nas orelhas. (simula novamente com as mãos)

B: _ Mas isso incomoda-te assim tanto? Não vejo assim ... nenhum problema.

 

A:   (lança um olhar algo reprovador; B até ao momento sempre havia concordado com ele noutras discussões)

 

B: _ Isso para mim é tudo normal. A única coisa que de facto me incomoda é a má educação

        dos miúdos.

 

A: _ É como o tema dos bonés e dos chapéus. Não podem trazer mas trazem e isto, que é pior?

        Isto já podem?!

 

B: _ É-me tudo indiferente. Há coisas mais importantes. O tema dos bonés só o faço cumprir

        porque está no regulamento interno da escola, mas só por isso. Incomda-me mais os

        palavrões e as ordinarices que os alunos a todo o momento dizem nos corredores e no

        pátio da escola, sem qualquer pudor, mesmo quando os professores passam. Isso

        incomoda-me mais, mas como ninguém parece ligar, também não vou ser eu a

        incompatibilizar-me com alunos que não são meus.

 

(Nessa altura já A se havia retirado para a salinha dos computadores ao lado. Não sei se deram conta, A só se houve a si próprio, fechou-se no seu discurso e não respondeu às questões de B. Os seus comentários, em meu entendimento, agravam-se quando se trata de um docente da disciplina de Filosofia, o que deveria pressupor talvez uma maior abertura em temas destes e não uma mentalidade quadrada. E se B lhe tivesse dito que adorava ter um kilt e ir um dia dar aulas com ele, com umas polainas, uma t-shirt justinha e uma forte e rija barba?! Tavez tivesse logo ali vomitado o pequeno-almoço, ou não?!)

 

música: Placebo - Meds

publicado por Brama às 18:28
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Sábado, 22 de Setembro de 2007

Situação embaraçosa ...

 

limões. fotosearch- busca de fotos,imagens e clipart (Imagem retirada da Internet)

 

Levantei-me até relativamente cedo, parece que começo a pôr os meus sonos em ordem, apesar de andar a dormir uma média de 3 a 4 horas diárias ... ai! de tarde e depois do almoço é que me bate forte e feio, nem sinto os pés no chão ...

Voltemos ao início, levantei-me, vesti-me e dirigi-me a um pequeno supermercado, que fica mesmo atrás da urbanização, comprar dois papossecos para comer com o café da manhã. Aproveito e levo dois ou três sacos do lixo ... parece incrível a quantidade de lixo que uma só pessoa pode produzir hoje em dia, três sacos de dois ou três dias apenas de um ser humano no planeta Terra, entre sete mil milhões que diariamente produzem as suas quantidades de lixo ... para onde irá todo este lixo?! é que parece-me assustadoramente grande a quantidade ...

Voltemos ao início ... que irritação psicológica, será que não consigo expôr um acontecimento sem ter de de fazer mil ramificações em cada frase que digo ...ou escrevo, neste caso.

Lá vou eu deitar o lixo no contentor, mas como ainda ia meio a dormir meio acordado, só depois me dei conta que havia colocado os plásticos no sítio dos papéis e cartões no sítio dos plásticos ... pronto, quero lá saber, ainda me preocupei em separar e afinal, segundo parece, depois juntam tudo a provar mais uma vez a boa gestão que existe nestes processos. Dirigi-me por fim ao supermercadozinho, entrei, apercebi-me que já não havia pão, que chatice, agora que eu já estava a imaginar o saborear do pão quentinho com a manteiga derretida e uma caneca de café delta ... bahhh!

Perguntei à proprietária do estabelecimento se já não tinha pão, encontrando-se esta na caixa falando com  duas idosas, daquelas senhoras reformadas sabem?! ... com muitos tremeliques, provavelmente viúvas e muito sós, com os filhos e netos na azáfama das urbes congestionadas, com ritmos de vida que já não lhes deixa espaço para falar ou ouvir os antepassados ... entregues à solidão dos dias ... e cujo momentos alto é uma ida ao supermercado, para desabafar todas as suas maleitas, o rol de medicamentos receitados pelo médico, a insuficiência da reforma para pagar os mesmos, as consultas que com sorte ainda existirão neste ano ...

A senhora respondeu-me, com a simpatia que a caracteriza (isto não é uma ironia ... esta senhora é simpática por incrível que pareça), que já não tinha quase nada porque no fim do mês fecharia o estabelecimento. Pronto ... lá me resignei, que remédio. Avistei no expositor dos legumes e frutas as tais ameixas que costumava comprar ali, a 1,90 euros o kg. Sim ... são caras, mas já há muitos e muitos anos que não comia umas ameixas tão maravilhosas, daquelas grandes, vermelhas por fora, alaranjadas por dentro, que sabem incrivelmente a ameixas, carnudas e polposas ... costumava comprá-las ali, eram óptimas e enormes. Tirei um saco e com firmeza dirigi-me às ameixas ... eram já poucas e mais pequenas, mal as remexi, mil minúsculos seres voadores se ergueram, escondidos nos espaços entre as ameixas ... estavam moles ainda por cima ... que merda, pensei eu. de saco na mão e olhando em redor, senti-me desconfortável. Ainda pensei, vou colocar o saco e vou-me embora ... mas achei que seria feio da minha parte fazê-lo, sobretudo porque em alguns momentos senti a atenção daquela senhora calma e simpática e ... com muita probabilidade, já não voltaria àquele estabelecimento. Que parvo que sou, não há problema nenhum em não levar nada, que parvoíce tamanha. Bem, olhei em redor e ponderei o que poderia necessitar, os legumes raquíticos, as frutas miseráveis, mas estavam lá uns limõezinhos com bom aspecto ... e limões são daquelas coisas que demoram a degradar-se e dão sempre jeito para uma salada, pôr numa carne ... pronto decidi-me e coloquei dois daqueles limões no saco ...

No momento do pagamento, eram alguns cêntimos e eu, abrindo prontamente a carteira verifiquei que nem um cêntimo tinha ..dispunha de uma singela nota de 10 euros ... digo singela, porque hoje em dia com 10 euros o que é que se compra?! nada ... só um conjunto de quatro ou cinco lâminas de barbear é quase esse preço ...

Puxei da nota de 10 euros para pagar e a senhora, que não tinha troco disse-me que podia levar os limões que eram oferta sua. Fiquei um pouco embaraçado e não aceitei, deixando os limões na caixa e dirigindo-me para a saída. A senhora insisitiu e vi nos seus olhos que fazia mesmo questão que os levasse ... também eram só dois limões ...

Atendi à insistência, mas não me senti confortável, afinal as duas velhotas também se quedaram a observar-me e naquelas duas cabecinhas senis, não sei que ideias pairavam ...

E pronto, não comi pão, que afinal até engorda e trouxe dois limanitos para casa ...

                                                                                        

                                                                                                     Brama

sinto-me:

publicado por Brama às 11:49
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