Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Portugal destaca-se ... na desigualdade!

Segundo dados do relatório social apresentado em Bruxelas, relativo à situação entre os anos 2000 e 2004, Portugal é recordista nas desigualdades sociais, existindo mais de dois milhões de pobres no nosso país ... algo que já não nos deve espantar afinal, há muito que se diz por aí que Portugal se está a transformar no Brasil da Europa. De acordo com o relatório e utilizando o índice de Gini, Portugal apresenta-se como o país em que o fosso que separa ricos e pobres é maior. Portugal destaca-se, registando valores de desigualdade que ultrapassam a média da UE, de 32,7% e os apresentados pelos EUA  (35,7%), com os seus 41%, sendo que, de 200 para 2004, o nível de desigualdade se agravou em 10%, sinal evidente de que os Governos têm governado em favor dos ricos e em desfavor dos pobres e medianos. Não tenhamos ilusões nem ingénuas esperanças ... não estamos abrangidos pelas preocupações governamentais.

Ter um PIB (Produto Interno Bruto) masi elevado, não parece ser condição obrigatória para reduzir automaticamente as desigualdades. A título de exemplo, Portugal e República Checa apresentam um PIB similar, embora com grandes discrepâncias em termos da distribuição da riqueza, sendo que a República Checa mostra um desempenho muito maior (26% de desigualdade, contra os já referidos 41% do nosso país).

Dos dois milhões de população mais pobre, a grande fatia corresponde à população com idade activa entre os 16 e os 64 anos sendo que, a parte da população que está em maior risco de enfrentar uma situação de pobreza, é a correspondente aos indivíduos solteiros, em idade activa e sem trabalho fixo, seguido dos casais com três ou mais filhos e em que apenas um dos conjuges tem emprego.

Em Portugal, cerca de 45% da população vive com menos de 22 euros por dia e 9%, com menos de 10% por dia.

 

Os + e os - da desigualdade de Riqueza na UE (a 25)

 

Os Melhores:

 

1- Suécia ------------22,5%

2- Dinamarca ------ 22,7%

3- Eslovénia -------- 23,7%

4- Finlândia --------- 24,9%

5- Holanda ---------- 25,1%

 

Os Piores:

 

25- Portugal --------- 41%

24- Lituânia --------- 35,9%

23- Letónia ---------- 35,5%

22- Polónia ---------- 35,2%

21- Estónia ---------- 33,4%

 

(Os dados do documento de 2004, excluem portanto a Roménia e a Bulgária, que integraram o espaço da UE apenas em 2007, compondo o quadro dos 27 países comunitários)

 

Perante este cenário (mais uma vez pouco abonatório para Portugal, como de resto tudo o que realmente interessa), e ao questionar Agostinho Jardim, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, relativamente ao estar supreendido por tais dados, este responde "Não. Esta é uma conclusão velha. É a grande questão que se coloca no nosso país: mesmo com a implementação de um regime democrático, Portugal não tem conseguido alcançar uma justiça equitativa.". Já no que concerne ao questionar do porquê de tal facto, acrescenta: "Tem a ver com as questões fiscais, com os impostos que são bastantes, mas que na sua grande maioria são absorvidos pela máquina do Estado e não aplicados no desenvolvimento do país. Temos muitos ricos, e que são propensos ao egoísmo, não distribuindo a riqueza. Além disso, muitos não pagam impostos e não lhes acontece nada, porque há sempre o medo que levem as suas empresas para o estrangeiro."

 ...

 

Fico a pensar que este medo soa estranho quando se diz que o nosso actual Governo tem tido a coragem de tomar medidas sérias, concretas e anti- populares. Sim, é verdade que tem tomado, mas não por coragem ... apenas porque dá muito mais jeito penalizar os mais pobres e os que têm pouca influência ... porque, por cobardia, todos os ricos e bem posicionados continuam terreno intocável. Coragem, coragem seria "remexer" nos influentes instalados que perpetuam o parasitismo nacional.

Bah!!! Estou farto de demagogia e de hipocrisia política.

 

 


publicado por Brama às 21:48
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4 comentários:
De pinguim a 31 de Maio de 2008 às 08:17
Caro Brama
sou socialista e tenho votado socialista, e sou (pecado grave para muitos), amigo pessoal de Sócrates por sermos da mesma terra e nos conhecermos de há muitos anos; daí a que siga uma politica de "Yes, sir", vai um enorme fosso. Confesso admiração pelo facto de ele ter tido a coragem, contra a oposição de muita gente, de pôr em acção reformas que outros nunca ousaram pôr; mas o assunto do teu post é outro e eu estou em absoluto, de acordo contigo, quando dizes que no nosso país, os grandes senhores, os detentores das grandes fortunas e os exgovernantes que recebem chorudas e vergonhosas reformas, continuam "intocáveis"; e quando se tenta "mexer" algo, logo vem a reação do visado, que tem poder, pois claro que tem, a fazer valer a sua força; do um só exemplo, a propósito da "oposição" mais ou menos visível por parte do governo á tão badalada OPA da Sonae sobre a PT; inviabilizada que a mesma foi, por mecanismos próprios, penso, logo o império de Belmiro de Azevedo, começou a mostrar as suas garras de animal ferido, ao ser publicado um editorial no jornal "Público" (pertença do referido Grupo empresarial), em que se afirma despudoradamente que seria a partir desse momento que Sócrates iria sentir o que era uma real oposição, não partidária, que essa só o tem feito sorrir, mas de quem mexe os cordelinhos, e a Imprensa é mestra nisso; daí em diante, tem-se visto o Público a liderar, em todos os campos a oposição ao trabalho, mau e bom do governo.
Perante isto, o receio ou a falta de coragem de mexer em assuntos que sejam susceptíveis de reações similares claro que aumentou e infelizmente. Daí não me surpreenderem os dados agora vindos a público sobre a desigualdade no noso país, mesmo tendo em conta que sereportam a um período (2000/2004), anteriores a este governo.
Desculpa o testamento...
Abraço.


De Brama a 1 de Junho de 2008 às 13:51
Olá pinguim ... este governo de socialista tem apenas e só a denominação. Não tenho visto medidas tomadas em favor das pessoas comuns mortais, sem poder nem influência a não ser o voto nas urnas (que de pouco vale, até por que entre a fome e a vontade de comer ... como nunca se dá hipótese aos mais pequenos de mostrar o seu valor, fica sempre tudo na mesma).
Eu não reconheço valor nenhum às medidas deste governo, só porque são anti-populares, a partir do momento em que interferem apenas com os mais pequenos e quem não pode fugir. Tudo em prol do défice, coisa e tal.
Continuo a achar que deveria exisitr um órgão da União Europeia (tipo ASAE da política, das contas públicas, dos gastos governamentais, etc, etc ...), que fiscalizasse tudo de fio a pavio, com fortes medidas sancionatórias aos prevaricadores, aos que "desviam", aos que fogem ao fisco, etc, etc ... seguindo uma tabela rigorosa de medidas sancionatórias que verdadeiramente doessem.
Teria de ser naturalmente um órgão com indivíduos neutrais, sem relações de confiança com os observados, sem interesses de espécie alguma, a não ser o cumprimento estrito das suas funções ... e mais, teria de ser um órgão comunitário cujas medidas se sobrepusessem efectivamente aos interesses e direitos individuais dos diversos estados membros.
A fiscalização seria feita com intervalos regulares em todas as áreas ... verdadeiramente minuciosa e sem avisos prévios.

É que sem benefícios nenhuns e todos os meses a largar uma importante soma em impostos, acho que me por direito deveria saber onde e como é aplicado todo esse dinheiro.

Os dados são anteriores a este governo, mas a situação está-se a agravar. Daí pressuponho que este governo nada tem feito de realmente importante. O seu autismo político não pode ser confundido com coragem governativa. Reconhecer-lhes-ei coragem quando mexerem a fundo nos interesses instalados dos grandes e deles mesmos. Acabe-se com as reformas vitalícias dos deputados ... o que é que aquela gente muito faladora faz a mais do que eu para terem direitos desse género. Gostava de os ver numa sala de aula a aturar 20 ou 30 putos malcriados todos os dias, hora a hora ... talvez tivessem menos vontade de piar ao fim do dia.

abraços


De Graduated_Fool a 2 de Junho de 2008 às 01:27
Não me apetece ler misérias sobre este país.


De medusasss a 2 de Junho de 2008 às 13:37
Brama, sigo o teu pensamento em toda a linha!
Também eu ando farta de reclamar que apesar de algumas reformas implementadas por este governo serem necessárias, algumas até urgentes; não deixa de ser verdade que as verdadeiras mudanças, as reformas radicais foram todas adiadas sine die!

Dói mas há anos que se fala nisto: nas reformas milionárias dos deputados, na acumulação de reformas com origem em diferentes institutos, muitas vezes na acumulação de reformas com rendimentos por trabalho prestado... quando a reforma é entendida por todos como o prémio para o cidadão sénior depois de uma vida inteira labor.

É bonito ver como os factores de convergência da idade da reforma com a idade média de vida são respeitados nestas coisas das reformas dos políticos ou de cargos de entidades semi-públicas!

Mas Brama! Que podemos nós fazer? Isso é que eu questiono!!! Porque eu olho para todos os lados e não vejo escapatória possível!

E se falas num organismo fiscalizador... a única entidade que tem andado em cima de nós é a UE... e mesmo assim andam fartinhos de nós: tantos dinheiro que veio para cá e onde foi gasto?

Enfim... política: é um buraco negro sem fundo. E cheira mal, fede!

Beijinhos e uma óptima semana, a aturar os filhos mal educados dos outros, é verdade... mas não tens compensações?


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