Pois é ... de tempos a tempos há palavras que funcionam, por exemplo, como bengalas jornalísticas, ou proferidas pelo cidadão comum como se fosse uma moda. Uma das últimas que eu adorava era a palavra "desvio" ... não, não tem nada a ver com comportamentos desviantes da norma. A palavra "desvio" era verbalizada sistematicamente, noticiário após noticiário, reportando-se a um tipo de roubo com classe, perpetrado por gente importante da nossa praça ... políticos, gestores, empresários, engenheiros, gerentes desportivos, vereadores, etc, etc ... gente com algum estatuto ou reconhecimento público. "Desvio" é um conceito giro, não é para qualquer um, o rico desvia somas porque quem rouba é o pobre. "Desvio" traduz eficazmente o nojo hipócrita do português tradicional, minimizando ou relativizando um acto criminoso concebido por alguém economicamente estável e socialmente confortável, uma vez que "desviamos" a evidência de um roubo colossal para um eventual ou ( agora entra já o conceito a que me refiro neste post) um "alegado" furto. Acho lindo e dá-me palpitações no encéfalo.
Agora temos sempre na boca de todos a palavra "Alegado". Os crimes, as violações, os réus, os homicídios, os suicídios, a violência doméstica, ... tudo é "alegado" até já não se aguentar mais, até à exaustão. Chega a ser mesmo desesperante, porque na iminência de alguém assumir e confessar abertamente um crime, a análise final pressupõe que há um "alegado" confessor do crime. A última que percepcionei levou-me a ouvir três vezes repetidas "Holokaftoma" de miss Diamanda, no volume máximo para apaziguar o meu enervamento. Relativamente ao caso Maddie, uma qualquer jornalista mencionou: "O alegado sangue encontrado no carro dos pais pode ser da menina". Porra, será que no momento em que foi comunicado tal facto, não se sabia já tratar-se de sangue?! E já agora, porque não:" O alegado sangue, alegadamente encontrado no alegado carro dos alegados pais pode alegadamente ser da alegada menina." Podia logo causar alguns AVC's na portuguesada audiência lá em casa e assim, poupar mais uns euritos ao estado português em géneros alimentícios e encher um pouquinho mais os cofres do estado, que tal?! fica a ideia ....
Brama
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